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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Blog Action Day: Water

Eu comecei a ler a respeito da água para participar ativamente do Blog Action Day nesta sexta-feira dia 15 de outubro de 2010.

Junte-se aos blogs do mundo inteiro nesta corrente por água limpa. 

Os números são alarmantes, os ricos textos são assustadores e a realidade realmente muito triste, os textos em português não são tçao completos quanto alguns que consegui localizar e que fundamentaram minha pesquisa. Vou tentar em algumas linhas chamar a atenção de todos sobre essa questão tão atual e que ao mesmo tempo passa tão despercebida por todos.


Neste momento, mais ou menos um bihão de pessoas no planeta não tem acesso a água limpa e segura para beber, é o equivalente a um a cada oito de nós.

1- Água suja e a falta de saneamento básico matam mais pessoas por ano do que todas as formas de violência, incluindo guerras, além disso podem esconder diversas doenças e bactérias como por exemplo E. coli, salmonella, cholera e hepatitis.

2- Mais pessoas tem acesso ao telefone celular do que a sanitários. Hoje, 2,5 bilhões de pessoas não possuem saneamento básico, isto é o esgoto é lançado ao mar, contaminando a água potável e causando doenças.

3- Todos os dias mulheres e crianças chegam a andar longas distâncias para buscar água, na África(também no Brasil) carregando baldes pesados de água, nem sempre limpas e próprias para o consumo. Além disso, essas pessoas sacrificam a qualidade de vida, como por exemplo, crianças na escola.

4- É necessário 6.3 galões de água para produzir um ÚNICO hambúrguer. Isso quer dizer que são gastos 184 bilhões de galões de água nos Estados Unidos caso fosse fabricado uma unidade para cada pessoa que lá reside. 

5- A ONU declarou que a água é um direito Humano. O que estamos fazendo para garantir o acesso a ela?

6- EUA, México e China lideraram o mundo no consumo de água engarrafada, uma média de 200 garrafas de água por pessoa ao ano. Mais de 17 milhões de barris de petróleo são necessários para fabricar as garrafas de água, 86 por cento dos quais nunca serão reciclados



Fontes:

Why Water ( Por que a água?)
Water. org( água)
Blog Action Day


Blog Action Day 2010: Water from Blog Action Day on Vimeo.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Cidadania: ASSINE PARA ACABAR COM A CORRUPÇÃO

A votação da Ficha Limpa foi adiada mais uma vez! Continuem assiando e divulgando.

Esta poderá ser uma oportunidade histórica de acabar com a corrupção no Brasil, eliminando das eleições candidatos que cometeram crimes sérios como corrupção e lavagem de dinheiro.

Entregamos a petição ao Congresso Nacional de forma espetacular que ganhou a atenção da imprensa. Porém precisamos continuar a pressão. Assine agora:

Prezados Parlamentares,
Nós pedimos vosso apoio ao Projeto de Lei da Ficha Limpa (PLP 518/2009). Contamos com o seu voto por eleições limpas, onde candidatos condenados por crimes graves como assassinato e desvio de verbas públicas se tornem inelegíveis. Nossos votos em outubro dependerão da sua atuação neste momento crucial da política brasileira.

Participem acessando aqui

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Individualismo

Os conflitos da independência começam em casa



Hoje confundimos pessoa, indivíduo, personalismo e individualismo. Nossa cultura está marcada pela supremacia do individualismo em detrimento do altruísmo e do personalismo. O outro, o próximo, o semelhante, o irmão, o diferente, o necessitado são colocados em segundo lugar e até descartados. O individualismo globalizado se expressa na absolutização do ter, do poder e do prazer. Os outros são perdedores, descartáveis, sobrantes, excluídos. Vejamos alguns aspectos do individualismo:

1. A arbitrariedade. O individualismo se manifesta na arbitrariedade que é uma atitude de poder, de julgamento, de superioridade, centralidade e dominação. Quando a arbitrariedade significa desobediência, rebeldia, orgulho, entram em crise valores éticos, religiosos, sociais e a justificação dos interesses pessoais, caem as instituições, a objetividade, o bom senso e o respeito pela verdade.

2. O bem material. A pessoa individualista desvaloriza o bem comum, a justiça social, a compaixão. O dinheiro, a ambição, a ganância, o lucro é o que interessa. O "ter mais" vence o "ser mais". Cresce a indiferença pelo outro. A competição, a corrupção, a concentração dos bens aumenta a desigualdade social. Quem cai no individualismo torna-se insensível, cego, escravo de cálculos e ambições. Não se pergunta se os outros estão bem e não se interessa em ser bom para os outros.

3. A satisfação erótica. O erotismo é filho legítimo do egoísmo individualista, do amor desordenado de si mesmo, do prazer imediato e sem compromisso que, hoje, se caracteriza pela orgasmomania e orgasmolatria, balbúrdia sexual. O machismo tem muito de egoísmo e erotismo. Acontece no erotismo a centralização do ego e a subjugação do outro, afirmação de si e a negação do outro. A espiral do erotismo abre as portas ao alcoolismo, às drogas e ao vazio existencial.

4. A legitimação dos desejos. O consumismo, através da propaganda, trabalha com os desejos. Ora cria desejos, ora os aguça. Somos escravos de desejos desordenados. O mercado excita os desejos das crianças, jovens e adultos e os legitima como felicidade, bem-estar, autorrealização e autoprojeção. Promete mundos maravilhosos, messiânicos, efêmeros e eficazes. A vida é vivida como um espetáculo, uma satisfação de desejos, sensações e curtições.

5. A imposição dos direitos individuais. Eu quero, eu sei, eu desejo, eu tenho direito, eu decido, eu mando. É a defesa arbitrária de direitos individuais sem compromisso ético, religioso, jurídico, social. Não podemos ser prisioneiros das modas do momento e ferir a verdade, o bem e a justiça; defendendo direitos individuais de modo arbitrário como o aborto, a eutanásia, a clonagem etc. Quem quer ser o único produtor de si mesmo acaba degradando-se.

6. A autossuficiência. Consiste em viver sem Deus, sem mandamentos, sem família, sem matrimônio e sem a comunhão com os outros e os valores objetivos. É a indiferença pelos outros, pelas instituições, pelas normas, num narcisismo sem limites. O autossuficiente é folgado, agressivo, independente, onipotente com grande risco de tornar-se delinquente.

7. A independência. O individualismo é egolatria, autonomia, solidão, rebeldia. Os conflitos da independência começam em casa, no namoro, na escola e no estilo de vida liberal, independente, permissivo. A pessoa pautada pela independência, assume atitudes de arrogância, arbritariedade, indiferença, antipatia e agressividade. Chega a ser antissocial e contestadora das realidades objetivas da vida.

8. O egoísmo. A centralização de si, o egocentrismo é um dos piores recalques da humanidade. Quando socializado, o egoísmo tem o nome de lucro, sucesso, consumismo, livre escolha. O que vem primeiro são as diversões, a curtição, o imediato, a estética, a dimensão lúdica da vida. O importante é o agora, o espetáculo, as distrações, o corpo.

O egoísmo globalizado gera "povos da opulência e povos da indigência", alarga as desigualdades entre ricos e pobres, o império do mercado e a iniquidade social. O egoísmo é o caminho do abismo.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina (PR)

Fonte: Canção Nova

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Rio 2016

Rio-2016. Eu quero. Mas eu posso?

por Mauro Beting - Lancenet

Abro a geladeira e tem um belo pedaço de bolo de chocolate.

Não sei se devo comê-lo. Só sei que é possível se lambuzar e sair bem satisfeito. E não sei se ele irá me fazer mal no fim das contas. É a sensação como cidadão brasileiro a respeito dos Jogos de 2016. Quero que seja no Rio. Mas vai ser bom para nós?

Acredito no Brasil. Não necessariamente nos brasileiros. O Rio de Janeiro pode fazer uma boa Olimpíada para o mundo e um ótimo evento para os contribuintes brasileiros. É só torcer pela quebra dos recordes apenas nas competições, não nas contas. É esperar a superação dos atletas não contaminando a superação de metas estabelecidas pelos organizadores.



É possível fazer festa sem tanta farra. Para ganhar os anéis olímpicos, não precisamos dar os dedos. Hoje é o dia para o ano de 2016. Nossa maior chance. Não sei se o Brasil precisa sediar os jogos. Só sei que não precisamos mais da sede por outras campanhas e comitês pelos jogos de 2020. 2024. Dois mil e tantos comitês tão caros para o cidadão. Já fomos Brasília em 2000. Já demos “aquele abraço” em 2004, no Rio. Perdemos 2012 para Londres. Talvez ganhemos enfim o direito de fazer os jogos de 2016. Não vamos jogar fora a chance de fazer bem feito. De fazer dentro de nossas possibilidades. De fazer uma festa não para gringo ver. Mas para brasileiro poder pagar as contas devidas sem abrir um rombo no nosso futuro.


Antes de fazer uma Olimpíada brasileira de duas semanas seria preciso fazer um Brasil olímpico de duas décadas. Fazer na escola não apenas esportistas de carreira. Fazer o esporte como educação. Como saúde. Como inclusão. Esporte por excelência, não as excelências por exclusão. Empreender uma política de esporte, não o esporte como política. Enfim, todo o discurso que se faz desde antes da primeira candidatura fracassada e/ou falida. Todo o blábláblá que espero não precisar blablablazar depois de 2016.


A sede e a fome por ser sede consomem recursos. Agora canalizados, represados, saneados, bola e boladas pra frente, que atrás vem todo tipo de gente. Se os donos dos anéis souberem escalar direitinho os times e capitães, nada contra. Não nado contra a maré. Só espero que ela desague no mar como rio caudaloso, não como esgoto escandaloso.

Nosso complexo de Mutley - o simpático cãozinho do desenho animado que pedia “medalha, medalha, medalha!” por qualquer coisa - se dividiu na ânsia por trazer para o país o maior evento de todos os esportes, colado ao maior evento do esporte, em 2014. Se os erros do Pan de 07 forem corrigidos, se as autoridades derem a volta olímpica no que foi feito de errado (ou que deixaram errar) no evento de 007 – com permissão para matar, como na ficção de James Bond -, o Brasil poderá se orgulhar não apenas do país que pode ser. Mas dos brasileiros que fizeram o possível e - literalmente - o impossível para trazer mundos e fundos para o Brasil.

sábado, 26 de setembro de 2009

Primavera de Mudanças




A estação da primavera está para o ano como a aurora para o dia. Após a noite escura e fria, propensa aos fantasmas, o sol do amanhecer remove as sombras e traz a esperança de um recomeço. Assim a primavera. Após o inverno gélido e prenhe de turbulências, raios e tempestades, a nova estação renova sonhos e expectativas. O céu azul e os campos floridos costumam ser a expressão plástica desse renascimento.

Não é sem razão que a primavera tornou-se, no imaginário popular, um dos símbolos mais expressivos na música, na literatura, na arte, na religião, enfim, na trajetória existencial das pessoas. Diz-se, por exemplo, que alguém está na primavera da vida, e isso nem sempre corresponde à idade medida de seus anos. Corresponde também ao rejuvenescimento após um outono nebuloso ou um inverso rígido, ou seja, após uma doença, uma crise pessoal, um fracasso inesperado.

O mesmo vale para determinada sociedade ou determinado país. Também aqui, passadas crises profundas, simbolicamente invernais, um povo pode reerguer-se das trevas, do frio e dos escombros, para construir uma alternativa mais promissora. As transformações, as mudanças e as revoluções normalmente são adjetivadas como primaveris. Afugentam os fantasmas do ódio e da violência e abrem espaço para um horizonte recriado. Que o diga quem experimentou na carne tensões, conflitos ou guerras declaradas.

Nesta perspectiva, seria correto afirmar que, passados os sintomas mais graves da crise financeira, a economia mundial encontra-se em estado de primavera? É difícil imprimir aqui um sim imediato e taxativo. Mais fácil é continuar em tom de interrogação. De fato, primavera tem a ver com cores e sabores, com flores e amores. Tem a ver com crianças brincado nas ruas e praças, com namorados se abraçando e beijando, com passeios e piqueniques. Tem a ver com o desabrochar vigoroso e virulento da vegetação castigada pelos ventos do inverno.

Ora, em geral, as propostas do G20 e dos políticos e economistas para a saída da crise do mercado é mais mercado. O que significa continuidade na devastação dos recursos naturais, ritmo acelerado de produção, maior número de carros individuais nas ruas e mais gás carbÿnico na atmosfera, aceleração do aquecimento global e mais consumo, sempre mais consumo. É o círculo de ferro do produtivismo consumista de nossa cultura ocidental. Tudo para favorecer uma porcentagem de privilegiados do planeta, em detrimento de bilhões de pessoas que vivem das migalhas do progresso científico e tecnológico. O remédio se converte em veneno cada vez mais letal.

Que pena! Nada de novo nesta primavera! Nenhuma flor, nenhuma cor, nenhum amor, nenhum sabor diferente do que já se conhece. A roda vida do capitalismo neoliberal aumenta sua velocidade, ignorando a nova estação. No caso da América Latina, a cobiça pela riqueza, pelo acúmulo e pelo poder vem ressuscitando até um começo de corrida armamentista, coisa que parecia execrada ao lixo da história.

Mas, espera um pouco, não sejamos tão pessimistas. Há sim algo novo debaixo do sol. Milhares e milhares de iniciativas populares, espalhadas por todo o Brasil e por outros países do planeta, vão forjando uma rede capilar de experiências de economia solidária. Ao invés do lucro, o objetivo é dar conta das necessidades básicas das populações mais carentes. Alternativas se multiplicam, formigas trabalham no silêncio, esperanças se renovam.

Mas como competir com a força, os estímulos, o marketing e o fascínio do mercado? Aqui é preciso ter a fé do camponês, acreditar na semente jogada na terra. Tempo de crise é sulco aberto na história para o lançamento de novas sementes. Sementes que não criam espetáculo, não fazem estardalhaço, mas maturam lentamente na umidade oculta do solo. Mergulham suas raízes no interior da terra, para depois, firmes no chão, erguer-se em direção ao céu, ao sol, ao ar livre. Como as sementes, também as mudanças não são feitas de espetáculos. Amadurecem passo a passo na consciência de um povo, até chegarem ao ponto de dar um salto qualitativo em direção à liberdade.

Da mesma forma que a espiga, a flor, o poema ou o edifício, as mudanças se levantam do chão. Primeiro crescem para baixo, buscando as dores e esperanças do povo, depois se projetam para o alto em forma de projetos, sonhos utopias. E então, sim, estaremos deixando o inverso da injustiça e da exclusão social e entrando na primavera de uma nova história.

Pe. Alfredo J. Gonçalves, Cs

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Entendendo o Grito dos Excluídos


Objetivo Geral do Grito
- Anunciar em diferentes manifestações populares sinais de esperança com perspectiva de transformação através da unidade, da organização e da luta popular.
- Denunciar todas as formas de injustiças promovidas pelo sistema capitalista implantado em nosso país, que causa a destruição e a precarização da vida do povo e do planeta.

A força da transformação está na organização Popular:
O Trabalho de Base é a ferramenta para a organização popular. É preciso ouvir os gritos silenciados e silenciosos dos que não têm nem voz nem vez e possibilitar que repercutam na sociedade, pois são muitos os sinais de esperança e indignação que vêm das ruas. Não podemos fugir deles. Precisamos tornar estes gritos e indignação em força, em movimento de luta.

O que não queremos no Brasil
√ Mau uso dos recursos públicos;
√ Agressão contra todas as formas de vida;
√ A falta de universalização dos direitos básicos como educação, saúde, moradia, cultura, etc..
√ Concentração de terra, renda e dos meios de comunicação;
√ Privatizações, militarização, dívida pública e os Tratados de Livre Comércio (TLCs);
√ Política econômica baseada na produção para exportação, nas altas taxas de juro, no pagamento da dívida pública (interna e externa), aumento do superávit para salvar bancos, e na dependência ao capital financeiro internacional;
√ Trabalho escravo, exploração infantil e tráfico de seres humanos;
√ Fechamento de fronteiras para os migrantes;
√ Latifúndio, monocultivo e agronegócio;
√ Apropriação dos recursos naturais, como minerais, água, sementes, petróleo, energia, por parte das grandes empresas transnacionais;
√ Depredação da natureza com graves conseqüências como o aquecimento global e as catástrofes “naturais” que estão acontecendo;
√ Criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.
O que queremos no Brasil
√ Defesa e promoção da vida em todas as suas dimensões;
√ Reforma política que garanta espaços de participação do povo nas decisões políticas sobre o destino da nação;
√ Política econômica que garanta vida digna, distribuição de renda, geração de emprego direitos para todas as pessoas;
√ Reforma agrária com incentivo à agricultura familiar e camponesa e a regularização fundiária das comunidades tradicionais, garantindo a soberania alimentar para o país;
√ Uma nova cultura do trabalho como fonte de promoção de vida e realização da pessoa humana;
√ Reforma urbana profunda que ofereça moradia digna para todos e todas;
√ Valorização da arte e das manifestações populares da cultura e controle popular dos meios de comunicação;
√ Promoção de novas relações de gênero e raciais;
√ Respeito à biodiversidade e uso das riquezas naturais, da energia etc;
√ Consolidação de uma integração regional alternativa com participação popular
√ Mobilização de toda a população na construção de um projeto popular para o Brasil.

Endereço da Secretaria Nacional do Grito dos Excluídos
Tel/Fax - (0xx11) 2272 06 27
Correio Eletrônico: gritonacional@ig.com.br
Pagina www.gritodosexcluidos.org

sábado, 20 de junho de 2009

O MIGRANTE CAMINHA ALIMENTANDO ESPERANÇAS


“Migram as sementes nas assa do vento,
migram as plantas de continente a continente levadas pelas correntes das águas,
migram os animais e, mais que todos, migra o homem” (Bem-aventurado Scalabrini).

O titulo deste artigo é constituído por três palavras sumamente interligadas. Entre elas existem uma interdependência e uma articulação que enriquecem o significado de cada uma delas. Juntas concretizam sonhos e metas que todo ser humano almeja alcançar. Juntas se completam e se solidificam com o propósito de tornar a vida do ser humano mais plena.

Migrante é um nome dado a toda pessoa que se desloca de um lugar para outro, na busca incansável de melhores condições de vida.

Caminhar indica um desprender-se da morosidade, da acomodação. É uma iniciativa que nos lança na busca do novo, do diferente. Caminhar significa desinstalar-se do comodismo, do estancamento, da passividade, da rotina, da monotonia e avançar com coragem para um lugar que nos enseja novas possibilidades. É poder construir uma nova identidade com audácia e bravura, atingindo horizontes e objetivos de ordem pessoal, profissional, familiar, social, político, religioso, desportivo…. Como dizia o célebre poeta espanhol, Antônio Machado: “O Caminho faz-se caminhando”. O ser humano vive caminhando conduzido por sonhos e com grandes expectativas. A História da humanidade revela que em diversos espaços geográficos e culturais a vida e a existência humana foram muitas vezes descritas como um “caminho que se fez caminhando”.

Esperança é uma força emocional que motiva o ser humano a buscar sempre resultados positivos, relacionados a diferentes circunstâncias da vida pessoal. É um nobre sentimento que impulsona, estimula e motiva o ser humano a realizar algo que tanto almeja. Ter esperança é poder acreditar nas promessas reais e lutar pelos objetivos traçados sem ilusões e com muita perseverança. É poder acreditar que algo é possível mesmo quando há indicações do contrário. É ter expectativas de acontecimentos bem-concretos, ou seja, tornar real o sonho que foi plantado no coração e na mente. Por exemplo: esperança de alguém que muito amamos e que está doente, seja curado, ou então, no caso do migrante, a esperança é de que um dia consiga tornar real o sonho da vitória; conquistar cidadania, habitação, emprego garantido, sustento para a família.

Esta é a esperança que alimenta o sonho, que impulsiona, conduz, orienta e estrutura a caminhada de muitos migrantes desde os tempos mais remotos da história humana. A Sagrada Escritura nos revela inúmeras caminhadas, por um lado, muitas delas de livre e espontânea vontade, por outro lado, outras tantas forçadas.

Temos conhecimento de que, desde Abraão, existe um constante fenômeno migratório na face da terra. O exigente convite que o Senhor Javé fez a Abraão de deixar a terra, parentes, casa, pai e ir em busca de uma terra ainda desconhecida (Gn 12, 1) era em vista das grandes esperanças de Deus. Certamente, foi uma decisão difícil, pois para partir aos setenta e cinco anos de idade, cortar os laços familiares e geográficos e ir para um lugar desconhecido é necessário ter uma fé heróica e uma esperança sólida. “Pela fé, Abraão, chamado por Deus, obedeceu e partiu para um lugar que devia receber como herança. E partiu sem saber para aonde ir. Pela fé, ele foi residir como estrangeiro na Terra Prometida” (Hb 11, 8-9).

Outro fato migratório aconteceu quando o “Faraó deixou sair o povo: Deus não o guiou pelo caminho da terra dos filisteus, embora mais curto... Deus fez o povo dar volta pela rota do deserto do mar Vermelho... O Senhor os precedia... para lhes mostrar o caminho” (Ex 13,17.18.21). Era necessário caminhar, mesmo se o povo estava cansado, abatido e humilhado pela escravidão do Egito. Foram peregrinos de Deus no caminho pelo deserto, lugar de perigo, mas também lugar de encontro com o Senhor. A promessa acompanhava o povo amedrontado, a promessa da Terra Prometida. “Eu te conduzirei ao deserto e falarei ao teu coração”. “Onde está a terra prometida?” Em meio a tantas dificuldades e perseguições trilharam o caminho com esperança.

Elias também teve que caminhar, sair das mordomias e enfrentar os desafios ao ouvir o insistente apelo: “Elias, levanta-te e come, pois é grande o caminho que te resta” (1Rs 19,5-8). É preciso se abastecer da Palavra e da Eucaristia para ter forças suficientes e enfrentar o caminho com confiança. É preciso manter viva a esperança de chegar e alcançar a meta traçada.

No Novo Testamento temos o testemunho do mestre Jesus. Durante a sua missão, muitas vezes O encontramos caminhando; subindo montanhas; descendo até a planície; caminhando pro outro lado do mar e até mesmo sobre as águas (Mt 14,22-32). Diante do medo e da insegurança Ele conforta os discípulos dizendo: “Tenham coragem, sou Eu; Não precisam ter medo”. Em outra passagem Jesus caminha à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém (Lc 19,28). E também caminha junto com os discípulos de Emaús que perderam quase toda a esperança, desencantados, sem horizontes... (Lc 24,15).

Entretanto, desejo destacar que Ele mesmo foi forçado a pôr-se a caminho, pouco tempo depois do seu nascimento. Foi obrigado a partir no colo de seus pais, montado num jumento, de noite, para o Egito visando fugir à perseguição do rei Herodes (Mt 2, 13-15). Sobre isso, o Servo de Deus, Papa Pio XII, escreveu em 1952: “A família de Nazaré no exílio - Jesus, Maria e José - emigrantes no Egito e lá refugiados para se subtraírem à ira de um ímpio rei, são o modelo, exemplo e apoio para todos os migrantes e itinerantes de qualquer idade, origem ou condição que, ameaçados pela perseguição ou pelas necessidades, se vêem obrigados a abandonar a pátria, os parentes queridos, os vizinhos, o afeto dos amigos, deslocando-se para terras estrangeiras”.

É evidente que, ainda hoje, o drama da família de Nazaré, é obrigada a refugiar-se nos Egitos do mundo. E repete-se na dolorosa condição de tantos e tantos peregrinos, migrantes, especialmente os refugiados e exilados que são perseguidos por falta de justiça e dignidade. Ainda hoje muitas famílias migram em meio a tantas privações, humilhações, limitações e fragilidades tornando-se seres humanos desfigurados e debilitados. Entretanto, é no caminho que se descobre a luz que norteia o peregrinar do ser humano: “... quando já estava perto de Damasco, Saulo se viu repentinamente cercado por uma voz que vinha do céu” (At 9,3).

O número de migrantes que cruzam as fronteiras e percorrem as estradas do mundo, vem aumentando a cada que ano passa. Entre as causas desse aumento “destacam-se as transformações ocasionadas pela economia globalizada, o que leva à exclusão crescente dos povos do Terceiro Mundo e sua luta pela sobrevivência; as guerras, guerrilhas e o terrorismo internacionais ou regionalizados; os movimentos marcados por questões étnico-religiosas; a urbanização acelerada, especialmente nos países periféricos; a busca de novas condições de vida nos países centrais, por trabalhadores da África, Ásia e América Latina; questões ligadas ao narcotráfico, à violência e ao crime organizado; os movimentos vinculados às safras agrícolas, aos grandes projetos da construção civil e aos serviços em geral”.

As migrações são cada vez mais complexas e diversificados. Hoje muitas mulheres e jovens rompem as fronteiras internacionais. Muitas famílias inteiras trocam o campo pela cidade. Muitos refugiados políticos e econômicos fogem dos conflitos armados ou da miséria e da fome. E também migram, por motivações distintas, muitas pessoas de todas as classes sociais.

O migrante enfrenta um choque violento quando chega ao seu destino, principalmente quando fora do seu país, enfrenta dificuldade de falar a nova língua, sem documentos oficiais, acossado pela perseguição da polícia, pela discriminação étnica, pela exploração e escravidão no trabalho, pela falta de qualificação para trabalho, pela remuneração baixa, pelas atitudes de xenofobia e de racismo, pela dificuldade de ver reconhecidas as suas habilitações acadêmicas; esses são alguns exemplos dos grandes obstáculos que encontram. E, diante disso, os migrantes podem naturalmente deixar definhar a esperança. Compete a todos nós a missão de lutar pelos seguintes ideais:
• justa acolhida a quem chega e generosa atenção a quem parte, ou seja, antenas ligadas a todo tipo de deslocamento humano;
• defesa dos direitos civis, econômicos, religiosos e sociais;
• defesa dos trabalhadores temporários para que não sejam lesados em seus direitos trabalhistas;
• políticas de integração que mantenham viva a esperança dos migrantes;
• defesa do princípio da igualdade de direitos e deveres;
• valorização e recuperação da auto-estima para que eles sejam sujeitos da história;
• resgate das tradições culturais, das manifestações religiosas;
• direito à escola para os filhos de imigrantes clandestinos:
• trabalho sempre em sintonia com as diretrizes e orientações da Igreja local;
• promoção da semana do migrante;
• conscientização da Igreja e da sociedade em geral para com a questão migratória;
• criação de equipes de Pastoral Migratória nas comunidades e nas paróquias;
• fixação do homem no campo, combate às migrações forçadas e defesa da reforma agrária e da política agrícola;
• globalização da solidariedade, cultura, justiça, liberdade: ir e vir, mundo sem fronteiras;
• atendimento das necessidades básicas, que possam garantir-lhes a sobrevivência.

Essas e outras tantas iniciativas são essenciais, pois, como diz o ditado popular; “Sem esperança não chegaremos a lugar nenhum”. Ter esperança é um direito fundamental de todo ser humano. Impedir esse direito é uma escravizar a injustiça.

Pe. Paulo Rogério Caovila, cs.

Imagem: http://quadrosthaisibanez.blogspot.com/2008/12/migrantes.html

sexta-feira, 13 de março de 2009

EXCOMUNGAMOS

Excomungamos todos aqueles que multiplicam sua renda através da especulação financeira, principais responsáveis pela crise atual, com todos os males que ela provoca, tornando mais miseráveis os pobres e mais poderosos os ricos...

Excomungamos todos os “paraísos fiscais”, onde o trabalho da imensa multidão anônima se converte em ouro, em dólares e em capital para uso de poucos...
Excomungamos o sistema capitalista de produção e sua filosofia liberal que, ao longo da história, se nutre da exploração dos recursos naturais, do trabalho humano e do patrimônio cultural dos povos...
Excomungamos todos aqueles que acumulam fazenda sobre fazenda, casa sobre casa, criando imensos latifúndios improdutivos ou mansões vazias, ao lado de milhões de pessoas famintas e sem terra e sem teto...
Excomungamos os responsáveis pelos assassinatos no campo e na cidade, não somente os que empunham a arma do crime, mas com maior razão os que pagam para matar...
Excomungamos todos os políticos que, apoiados pelo voto popular, usam do poder em benefício próprio e de seus apadrinhados, traindo aqueles que o elegeram e corrompendo os canais da participação popular...
Excomungamos todo Estado que alimenta um exército de soldados e burocratas e, ao mesmo tempo, deixa cada vez mais precários os serviços públicos, substituindo-os com políticas compensatórias...
Excomungamos todos os traficantes de droga, de pessoas humanas ou de órgãos humanos, que mercantilizam a vida e causam a destruição da família e de todos os laços fraternos de solidariedade...
Excomungamos todas as milícias paramilitares e a “banda podre” das polícias porque, a cada ano, ceifam a vida de milhares de jovens e adolescentes...
Excomungamos todos os tiranos que a ferro e fogo ainda reinam sobre a face da terra, assentados em tronos de ouro, construídos com o sangue,o suor e as lágrimas de seus súditos...
Excomungamos todos os mega-projetos, agro e hidro negócios, que devastam a natureza, contaminam o ar e as águas e, no afã de acumular poder e riqueza, reduzem drasticamente a biodiversidade sobre o planeta Terra...
Excomungamos todos os pedófilos, estupradores, sequestradores e seus cúmplices que não só escandalizam os inocentes, mas os convertem em objeto de prazer e de lucro...
Excomungamos a violência do homem sobre a mulher e as crianças, não raro encoberta pela inviolabilidade do lar e da família e que, aos milhões, esconde hematomas, cicatrizes e traumas sem remédio...
Excomungamos os que fazem de seus carros uma arma que fere, mutila e mata e que seguem impunes pelas ruas com suas máquinas velozes e letais...
Excomungamos todo tipo de exploração do trabalho humano, transformando mulheres e homens em peças descartáveis de uma engrenagem que se alimenta de carne humana...
Excomungamos todo sistema prisional que, pela superlotação, pelos abusos e pela tortura, avilta a pessoa humana e faz da prisão uma verdadeira escola do crime...
Excomungamos todas injustiças e assimetrias realizadas em nome da “democracia liberal”, pois a história tem sido testemunha de que essas duas expressões são incompatíveis...

Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

CIDADANIA X IGREJA

No dia de ontem, 10 de dezembro, realizamos uma reunião de trabalho com a prefeita eleita recentemente, contando com a participação de quase 80 lideranças de nossas comunidades... Sentimos e vimos os olhos da maioria dos participantes brilharem, denotando otimismo e espectativa positiva em relação a administração dos próximos anos. Oxalá essa expectativa se concretize! Porém, temos claro que essa é uma tarefa de todos... Mãos à obra!
Abaixo segue a palavra manifesta por representante da Igreja (Paróquia Nossa Senhora das Graças:

CIDADANIA x IGREJA

APELOS DA IGREJA
Frente aos apelos do Evangelho e o chamamento que a Igreja tem manifestado ao longo da história e em particular nos últimos documentos, sentimo-nos na responsabilidade de levar adiante, como tarefa, como missão-serviço, uma prática que vá de encontro às urgências e carências de nosso povo... Não queremos estar de fora, ausentes e omissos em nossa missão de promover o exercício da cidadania em todas as nossas ações. Vivemos hoje, um momento oportuno, que poderá incrementar uma nova prática em nossas relações sociais-políticas e estabelecer uma interação positiva em favor do povo, vítima do descaso e desatenção dos poderes constituídos, que se arrasta há décadas para não dizer a séculos....
Diz o último documento da Igreja, “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: “...a Evangelização exige muita atenção à situação em que vivemos, bem como sincera abertura de espírito e solidariedade diante das aspirações, angústias e interrogações da nossa época. ...Para alcançar este objetivo, é necessária uma “permanente conversão pastoral” por parte dos bispos, presbíteros, diáconos permanentes, consagrados, leigos e leigas, para que não nos instalemos “na comodidade, no estancamento e na indiferença, à margem do sofrimento dos pobres” (DGAE, n.55)
“Todos os fiéis são também impulsionados pelo Espírito a participar da vida política, pois a vida cristã não se expressa somente nas virtudes pessoais, mas também nas virtudes sociais e políticas. Os leigos, devidamente formados, devem estar presentes na vida pública, atuando como verdadeiros sujeitos eclesiais e competentes interlocutores entre a Igreja e a sociedade...” (DGAE, n.86)
“Incentive-se cada vez mais a participação social e política dos cristãos leigos e leigas nos diversos níveis e instituições... Incentive-se a participação, ativa e consciente, nos Conselhos de Direitos...” (n.187) “Acompanhe-se o trabalho do Legislativo, do Executivo e do Judiciário, em seus diversos níveis e instâncias, a fim de evitar a corrupção, a impunidade, o prejuízo ao bem comum...” (n. 189)

RESPOSTA DA COMUNIDADE

A comunidade quer abrir espaços de discussão e participação junto ao poder público e fazer-se protagonista de uma história a ser traçada com a contribuição de todos.
Quer implementar uma prática de educação para a cidadania, através de atividades formativas como seminários, mesas redondas, semanas de fé e política além de atividades que nos remeta a ações reivindicatórias em favor de situações mais urgentes que afetam a vida e comprometam a dignidade do povo.
Igualmente, nossas 17 comunidades querem ser um espaço de serviço em favor da vida e da dignidade nos vários bairros em que estamos instalados; ou seja, em acordos pré-estabelecidos, nossos espaços físicos deverão estar a disposição de iniciativas do poder público em favor de ações que venham de encontro às necessidades dos cidadãos.

NB: Para que esses objetivos possam fluir e se tornarem uma prática cidadã, julgamos por bem sugerir dois nomes que representem nossas comunidades para fazer esta ligação junto ao poder executivo e secretarias correspondentes.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Solidariedade...

"Solidariedade!"
É o brado insistente,
desesperado,
às vezes silencioso, comovido,
que brota desde os vales
e encostas encharcadas de Santa Catarina...
São milhares, as famílias - homens - mulheres - crianças
que experimentaram
e continuam vivenciando a dor das perdas,
da instabilidade,
do sofrimento, das lágrimas,
dos sonhos desfeitos...
Porém,
são inúmeras as manifestações de esperança,
de solidariedade que irmana
de partilha que dignifica
de sinais que devolvem a confiança,
de atitudes que promove a corresponsabilidade...
de AMOR...
São milhares os gestos, que chegam para dizer:
"Aqui estamos!
Queremos compartilhar vossos fardos,
vossas angústias!..."
Nossos pequenos gestos
venham somar-se à montanha de ínfimas centelhas,
que reluzem no infinito de nossa humanidade,
gerando assim sementes de SOLIDARIEDADE.
Que tudo se torne um sinal evidente de nosso Amor à Vida!
Pe. antenor