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sábado, 15 de outubro de 2011

MIGRAÇÃO COMO SINAL DOS TEMPOS


Migram as sementes nas asas do vento, migram as aves nas correntes sazonais, migram os peixes para se reproduzirem, migram os animais atrás de melhores ares e melhores pastagens... Enfim, migra o ser humano em busca de um futuro mais promissor. Assim se expressava o bispo de Piacenza, Itália, Dom João Batista Scalabrini, “pai e apóstolo dos migrantes” no final do século XIX. Tempo conturbado pela revolução industrial, marcado por grandes deslocamentos humanos, tanto do campo para a cidade quanto do velho continente europeu para as novas terras da América. Século do movimento, diz o historiador Peter Gay, que estima em 62 milhoes o número de emigrantes que deixam a Europa entre 1820 e 1920.

Como o vento e as aves, que transportam o pólen para a geração de novas flores e frutos, também os seres humanos, em seus deslocamentos de massa, são portadores de sementes de vida nova. Diferentemente do vento e das aves, porém, os migranres, com os valores da própria trajetória histórica, fecundam terras, culturas e outros povos, ao mesmo tempo que recriam civilizações. Se é verdade que no coração de cada pessoa e no coração de cada cultura existem sementes do Verbo encarnado, o ato de migrar, por si só, constitui fator decisivo de evangelização. De maneira consciente ou inconsciente, o emigrante, individual ou coletivamente, leva consigo uma bagagem que servirá de intercâmbio para o enriquecimento dos povos. Daí a expressão do título, extraída de uma das mensagens do Papa Bento XVI para a Jornada Mundial das Migrações.

A fome e a fuga
Atualmente, por toda a extensão do planeta, milhões e milhões de pessoas estão em fuga. No Haiti, Somália, Bangladesh,Indonésia ou Tailândia, fogem de catástrofes naturais, tais como terremoto, inundações ou estiagens prolongadas. Nos países do norte da África ou Oriente Médio, onde se fala de uma primavera árabe, fogem da fúria de tiranias que, com unhas e dentes afiados, insistem em manter o poder a qualquer custo. Em outros países africanos, evitando serem trucidadas por ódios insanos, fogem de tensões, guerras fratricidas e genocídios. Em várias regiões da América Latina e da Ásia, fogem de situações socioeconômicas adversas, tais como a fome, a miséria e a falta de trabalho, ou de conflitos armados que colocam a população entre dois fogos: forças militares, de um lado, e guerrilheiros, de outro. Em não poucas partes do globo terrestre, fogem de enfrentamentos sangrentos, revestidos de uma roupagem ideológica, religiosa ou política. Há os que fogem, por uma parte, repelidos pela pobreza, de outra, atraídos pelas oportunidades do capital e das novas tecnologias, especialmente do hemisfério sul em direção ao hemisfério norte. E há, ainda, os que vivem e trabalham em constante deslocamento, tais como ciganos, marinheiros, caminhoneiros, aeroviários, técnicos, estudantes...

São terremotos de toda ordem que geram tsunamis humanos em ondas cada vez mais expressivas e poderosas. Os rostos são muitos e muito variados: emigrantes/imigrantes, refugiados, itinerantes, deportados, exilados, prófugos, estrangeiros irregulares, migrantes temporários e/ou internos, trabalhadores de distintas categorias. Entrelaçadas são também as rotas que percorrem, cada vez mais complexas e diversificadas. Difícil hoje encontrar um país que não esteja envolvido com o fenômeno migratório, como lugar de origem, como lugar de destino, como lugar de trânsito, ou tudo isso ao mesmo tempo. As migrações tornam-se mais intensas em volume de pessoas e em diversidade de trajetórias. De acordo com estatísticas da ONU, estima-se em mais de 200 milhoes o número daqueles que não residem no país em que nasceram. Número subestimado, uma vez que, por um lado, não contabiliza os que se deslocam temporariamente ou dentro do próprio Estado e, por outro, não dá conta de abarcar a grande maré dos “sem papéis” ou indocumentados.

No século XIX o êxodo rural ou os deslocamentos humanos tinham uma origem e um destino mais ou menos determinados. Também o movimento do nordeste para o sudeste industriazizado, no Brasil, a partir dos anos de 1930-40, obedecia a certo plano de mudar-se para “fazer o futuro”. Em ambos os casos, prevalecia uma desinstalação temporária com vistas a uma nova reinstalação. Como a uma árvore, arrancava-se a pessoa e/ou a família de suas raízes para replantá-la em outro terreno, em geral mais promissor. Muitos europeus e muitos nordestinos transplatavam-se, com o intuito de recomeçar a vida em um novo lugar. Estava mais ou menos implícita a idéia de migração definitiva. Sem dúvida, o sonho do retorno permanecia sempre muito vivo, mas podia ser adiando indefinidamente.

Nas últimas décadas, porém, as migrações ocorrem de forma desordenada e repetitiva. Muitos migrantes empreendem sua trajetória por etapas, passando por vários países, com a meta sempre aberta e retomada de chegar a algum lugar definitivo, notadamente os Estados Unidos ou a Europa. Esse horizonte, porém, esbarra em numerosos entraves, tais como leis cada vez mais rígidas, particularmente depois dos atentados de 11 de setembro/2001, economias fragilizadas e instáveis, criminalização dos migrantes, barreiras aduaneiras... De tal forma que, mais do que uma migração simples, com saída e chegada previsíveis, prevalece hoje um vaivém contínuo e complexo, em todas as direçoes, que pode durar uma vida inteira. Cada ponto de chegada se converte em novo ponto de partida. Não raro, em lugar de meio para chegar a determinado lugar como fim, a migração se converte em um fim em si mesma. Vira uma espécie de modus vivendi.

Crise da modernidade
A fome e a fuga que caracterizam o contexto globalizado da mobilidade humana constituem o maior ponto de interrogação à chamada civilização ocidental. Filha dos “tempos modernos”, esta apontava positiva e euforicamente para as grandes utopias do século XIX. Em nome da razão, da ciência, da tecnologia, do progresso e da democracia (cinco conceitos que formam uma espécie de credo da modernidade), todos os ploblemas seriam resolvidos. O ser humano se emamcipa da tutela divina (Deus é uma hipótese descartável) e se lança à aventura de recriar um mundo sem injustiça, nem desigualdade ou violência. O ser humano desvenda os mistérios do universo, da naturaza, da história e do próprio corpo. Nas palabras de Weber, “o mundo se desencanta” e avança para conquistas inimagináveis.
Mas esse ufanismo dos tempos modernos derrete-se no decorrer do século XX. “Tudo que é sólido se desmacha no ar”, profetizava já em 1948 o Manifesto Comunista. Inicia-se, ainda no final do século XIX, a “crise da modernidade” (Alain Touraine) com os filósofos da suspeita: Marx. Freud e Nietzsche. Inicia-se também a desconstrução do credo moderno e positivista. A barbárie retorna com toda a força: duas guerras mundiais, impérios e formas de colonização, conflitos localizados, a insanidade do holocausto, asimetrias cada vez mais profundas entre ricos e pobres, individualismo exacerbado… O que traz de volta o sagrado em uma multiplicidade de deuses no plural. As verdades se convertem em dúvidas, as respostas em novas interrogações. As perguntas são maiores que nossa capacidade humana de responder, o que caracteriza a crise. Parafraseando Simone Beauvoir, as estrelas se apagam no céu, os marcos desaparecem da estrada e o chão foge debaixo dos pés.

A razão e a ciência engendram um mundo irracional, seja do ponto de vista socioeconômico, seja do ponto de vista político, cultural e ecológico. Razão, ciência e tecnologia, por sua vez, ao mesmo tempo que desenvolvem procedimentos medicinais de ponta, capazes de salvar e prolongar a vida humana e até animal, combinam-se para a criação das grandes máquinas de matar, verdadeiros monstros, com artefatos cada vez mais letais e sofisticados. As referências sólidas da modernidade se liquefazem juntamento com o contrato social, para usar os adjetivos de Zygmunt Bauman.

Migração como “sinal dos tempos”

Nesse cenário, as granes ondas migratórias, quais verdadeiros tsunamis causados pelos terremotos econômicos, políticos, sociais, culturais e naturais, aparecem como um “sinal dos tempos”, em dupla perspectiva. De um ponto de vista negativo, interpelam e denunciam uma civilização que sequer conseguiu oferecer, na terra natal, uma sobrevivência mínima a milhões de seres humanos. Desterrados do solo pátrio, erram pelas estradas do êxodo. Nem cidadãos deste ou daquele país, nem cidadãos do mundo. Trabalhadores para os serviços sujos e pesados, mas sem direito ao status de cidadania. Errantes que nos dirigem olhares e gestos silenciosos, mas nem por isso menos questionadores. O grito dos mutilados da história, dos sem voz e sem vez, justamente por seu silenciado, costuma vir carregado de apelos mais elocuentes.

Em termos positivos, as migrações são um “sinal dos tempos” na medida em que clamam por mudanças. Mudanças urgentes, profundas, substanciais, seja em nível interno de cada nação, seja nas relações internacionais da economia mundializada. Neste caso, os migrantes entram em cena como profetas e protagonistas, às vezes sem o saber, da busca de alternativas. O simples fato de pôr-se a caminho, faz marchar a história. Movem-se e movem as engrenagens da sociedade em permanente mutação. Podem, com isso, apontar veredas novas para horizontes mais largos e abertos, plurais e democráticos, solidários e sustentáveis. Através do processo migratório, como uma entre as várias alternativas de sobrevivência, superam a fome e a fuga, caminhando em busca em de uma nova sociedade e, quem sabe, de uma nova civilização.

Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS

sábado, 2 de abril de 2011

Encontro de Formação de catequistas: inclusão social




Aconteceu neste sábado dia 02 de abril de 2011, às 8h30 na Catedral de Santos, um encontro de formação para os catequistas, o tema era a inclusão social, com ênfase na catequese para deficientes.

Não importa o tipo de deficiência, seja ela mental( ou intelectual), auditiva, visual, física ou múltiplas o papel da Igreja e do catequista é incluir, é preciso ter cuidado com a falta de informação e captar o ambiente.

O deficiente é muito sensitivo, capta o olhar e o tom de voz, apesar de muitos sofrerem com a atrofia física são muito inteligentes e entendem o que acontece ao seu redor.

O deficiente é membro da Igreja, deve ser tratado igual aos demais para que se sintam responsáveis pelo trabalho de Pastoral.

Muitas bibliografias e dicas foram dadas, todavia é apenas um pontapé inicial.
Para maiores informações procure o coordenador de catequese de sua comunidade.
Não esqueçam que a Pastoral dos Surdos é forte em nossa paróquia e quem ainda não assistiu uma missa interpretada pode fazê-lo aos domingos, na missa das 9:00 horas da manhã na Matriz, logo após tem o curso de libras, os interessados devem procurar os responsáveis.

Segue um vídeo apresentado no encontro, um rapaz deficiente que resolve participar das Olímpiadas escolares junto do grupo, igual a eles e não desiste.


segunda-feira, 19 de julho de 2010

AS METÁFORAS DE JESUS

As metáforas de Jesus costumam ser simples na forma e profundas no conteúdo. Algumas são expressões extremamente densas, concisas e cheias de sabedoria, inseridas no meio de um discurso mais longo. Exemplo: Pois onde estiver o cadáver aí se juntarão os abutres (Mt 24, 28) ou segue-me e deixa que os mortos enterrem seus mortos (Mt 8,22) e ainda os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos (Mt 20, 16). Costumam ser frases taxativas, peremptórias, provérbios populares, sem margem a resposta. Outras se desenvolvem de maneira mais alinhavada, em forma de parábolas, a linguagem por excelência do profeta de Nazaré. Segundo os estudiosos do tema, muitas delas representam respostas pontuais às freqüentes polêmicas do cotidiano, especialmente com os fariseus e saduceus. Respostas que, vale dizer, deixavam mudos os adversários e os expectadores.

Tais metáforas ou parábolas brotam de experiências distintas e abrangem os mais diferentes campos. Umas são marcadamente agropastoris, como a do semeador, da vinha e do vinhateiro, dos trabalhadores da última hora, da ovelha perdida ou a do bom pastor, do joio e do trigo; outras estão relacionadas ao mar, aos lagos e aos trabalhadores das águas, como a da rede lançada ao mar, a moeda encontrada no peixe.

Algumas dessas metáforas/parábolas deixam transparecer um colorido e um tempero bem expressivos da vida diária do povo do que Jesus fazia parte. É caso do sal, do fermento, da luz ou do grão de mostarda; entre estas últimas, há aquelas que são fortemente carimbadas com o selo da compaixão, como a do filho pródigo; ou as que se referem à insistência e ao ritualismo farisaico da oração, como o juiz e a viúva, de um lado, e o fariseu e o publicano, de outro; e há as que transpiram a alegria de um povo simples e festivo, como a das virgens prudentes e imprudentes ou a do rei que oferece um banquete; mas há também as que denunciam o ambiente tumultuado do comércio, tais como a do tesouro escondido no campo ou a da pérola preciosa.

De um ponto de vista pastoral e espiritual, três aspectos chamam a atenção nessas páginas do Evangelho. Evidentemente são páginas inesgotáveis em seu mistério e profundidade e muita tinta e papel já se gastaram sobre elas. Os comentários que se seguem não passam de algumas gotas de reflexão no oceano de comentários sobre as Parábolas de Jesus (Livro de Joaquim Jeremias).


Conteúdo das metáforas

O primeiro aspecto a destacar é o conteúdo de tais metáforas. Grande parte delas está vinculada ao Reino de Deus. Através de algo visível e bem conhecido na vida do dia-a-dia tesouro, sal, fermento, etc. expressam uma realidade invisível. O que Jesus tem a dizer não cabe em palavras. Ele apela para imagens, mas estas também são limitadas e se prestam a distintas interpretações. A verdade é que a atenção de Jesus está de tal forma focada na intimidade com o Pai, respira de tal maneira o oxigênio de sua casa e de sua presença, que a torrente de suas palavras converge naturalmente para a certeza de que eu e o Pai somos um. E de que o Reino permanece aberto a todos que amarem a Deus e ao próximo.

O Reino torna-se sua mensagem central. Mais ainda, trata-se de uma realidade tão viva, íntima e absorvente, que Jesus se despoja de tudo para ir ao seu encontro. Nem a decepção e o fracasso com as limitações de seus colaboradores, nem a sinistra aproximação do sofrimento e da morte na subida para Jerusalém, nem a traição e a negação, e menos ainda a cruz, conseguem desviá-lo dessa meta. Impregnado de semelhante tesouro, respirando a intimidade com Pai por todos os poros, gestos e palavras, Jesus passa a insistir que todos devem ser convidados. As portas jamais se fecham para aqueles que se manifestem abertos à irrupção dessa nova realidade. Ninguém, a não ser que o queira, fica fora do banquete do Reino.

Dessa forma, o Reino se converte em Boa Nova, em Evangelho. Não uma notícia a mais, que acumulamos na bagagem de nosso saber. Muito menos uma manchete sensacionalista para satisfazer a curiosidade natural do ser humano. Mas uma notícia que sacode e interpela a existência como um todo, que a ninguém deixa indiferente, que mexe profundamente com as entranhas e a alma de cada pessoa humana. São os pobres, entretanto, os primeiros a sensibilizarem-se com ela. Sua carência ou indigência os torna mais permeáveis às novidades e às mudanças históricas.

Sem ninguém que os defenda, mesmo no escuro e na dúvida, são capazes de se lançarem confiantes nas mãos do único Senhor da História. São os primeiros que, na figura dos pastores e juntamente com a corte dos anjos celestiais, se põem a cantar e a proclamar a chegada do Menino Jesus em Belém. A presença de Deus lhes abre perspectivas para a existência vindoura, uma vez que o futuro encontra-se cerrado pelas adversidades e fracassos de passado pobre e sem saída. Deus irrompe em sua vida a partir de um amanhã renovado. Curvados sob o peso de uma experiência de cansaço e abandono, podem levantar a cabeça em direção à nova aurora que se anuncia.

Ao contrário, quem nasce e cresce em berço de ouro não quer saber de grandes transformações. “Onde está teu tesouro aí estará teu coração”, dirá com razão o Mestre. Ricos de bens e auto-suficientes em seu poder e em seu saber, é nisso que põem sua inteira confiança. Quem acumula tesouros no presente, com frequência volta as costas ao transcendente que chama a se desinstalar e a retomar o caminho. De forma cristalina, sobressaem duas centralidades no projeto de Jesus sobre o Reino: enquanto este representa o centro de sua preocupação e de sua pregação, os pobres encontram-se no centro do Reino.



Linguagem de Jesus

O segundo aspecto refere-se à linguagem de Jesus. Falar de inculturação da Palavra de Deus é dizer pouco, e o tema da inculturação voltará mais adiante. Está em jogo aqui uma profunda empatia entre a alma de Jesus e a alma do povo de seu tempo. Por mais misteriosa e divina que seja a mensagem, ela passa pela maneira simples e popular de se comunicar. As metáforas e/ou parábolas constituem peças chaves nessa aproximação entre a Palavra e a vida cotidiana. Trata-se de uma linguagem concreta, viva, tangível, de fácil acesso a qualquer pessoa.

A imagem e o toque precedem os conceitos. Se, de um lado, a imagem visualizada torna a mensagem inesquecível, de outro, o toque costuma ser a comunicação de quem muito ama ou muito sofre. A dor, quando histórica, secular e prolongada, mutila a fala. O toque, por exemplo, é a forma de rezar de muitas pessoas que se aproximam dos santos, da imagem de Maria e do Cristo Morto, ou do sacrário. Quem passou pelo vale de lágrimas comunica-se com os olhos, as mãos, o próprio corpo: rugas, cabelos brancos, olhares aparentemente duros, carícias de mãos rudes e calosas. Por trás dessa casca grossa costuma morar corações de uma ternura surpreendente.

Também são fortes e inesperados os ditos populares, sabedoria acumulada e condensada em frases de efeito, contrastantes. Se o teu olho é motivo de pecado, arranca-o e lança-o para longe; se a tua mão direita é motivo de pecado, corta-a e lança-a para longe, e assim por diante. Jesus assume o linguajar rude e direto de seus contemporâneos, não para ser entendido literalmente, e sim para chegar mais perto de seu coração.

Tudo isso tem em vista as pessoas mais pobres, que em geral não tiveram acesso à preparação escolar. De fato, a palavra e a história são próprias das classes dominantes. São elas que tentam monopolizar a comunicação verbal. Os habitantes dos porões desenvolvem outras formas de comunicação, tais como o gesto, a música, a dança, a poesia, a capoeira e, é claro, a imagem, o toque e o ditado repetido de boca em boca. A arte das ruas e dos campos se contrapõe à arte das galerias e dos museus. É coreograficamente mais viva, vibrante, cheia de vida e energia.

Jesus mostra entender dessa arte. Suas palavras e gestos se dirigem diretamente aos corações marcados pelo sofrimento, mas donos de uma sabedoria oculta. Quantas vezes Ele toca e se deixa tocar! Sabe que, para quem atravessou o mistério da dor, não há salvação sem a mágica do toque. Toque que pode concretizar-se numa palavra, num olhar, num beijo, num abraço, num aperto de mão, num convite, numa visita, numa mão sobre o ombro... O toque é bálsamo incomparável para quem desceu aos infernos do sofrimento humano. Por mais adultos e crescidos que sejamos, consciente ou inconscientemente, todos temos saudades do colo da mãe e de suas mãos acalentadoras.



Inculturação da Boa Nova

Por fim, a inculturação da Boa Nova do Evangelho no contexto de seu tempo. Num processo real de inculturação há dois extremos a evitar: abdicar da própria cultura ou impô-la sobre os outros. Também existem dois caminhos curtos e fáceis a serem evitados: a pura imitação ou a ignorância do estranho e diferente. Quando se fala de inculturação, está em jogo um processo lento, longo e laborioso. Um caminho que exige silêncio e escuta, compreensão e respeito, diálogo e abertura – tudo isso de forma permanente.

De fato, inculturação não é um ato localizado na vida, mas um processo que dura toda uma existência. Não é um diálogo de palavras e conceitos, mas um diálogo de corações e almas. O caminho breve a aparente é o caminho da imitação, do folclore: já sei dançar o forró, já gosto de tapioca, já participo do São João então estou inculturado! Nada disso! Esse atalho aparentemente mais curto muitas vezes bloqueia o verdadeiro processo de inculturação. O caminho longo pode até passar por essas exterioridades, mas vai muito além disso. Pode também ocorrer sem essa imitação. No agreste paraibano, conheci missionários e missionárias de sotaque estrangeiro, mas com uma profunda empatia com a alma do povo. E inversamente, conheci brasileiros nascidos na própria região, mas que insistiam em manter uma distância abissal do ser genuinamente nordestino.

Imitar é próprio de papagaios ou macacos, não de seres humanos. Os seres humanos confrontam saberes, costumes, valores e contravalores. Nessa atitude de confronto, quando profunda e sincera, ocorre um mútuo enriquecimento. Cada cultura pode aprender e ensinar, corrigir e corrigir-se. Mas é preciso estar aberto ao encontro, ao diálogo, ao recíproco aprendizado. Se voltarmos os olhos para as páginas do Evangelho, frequentemente Jesus se deixa evangelizar, isto é, muda de idéia e de comportamento, extasia-se diante da fé ou da persistência do outro, especialmente das crianças, das mulheres, dos estrangeiros. Em verdade vos digo que, em Israel, não achei ninguém que tivesse tanta fé (Mt 8,10); ou Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra porque ocultaste estas coisas aos sábios e doutores e as revelastes aos pequeninos (Mt 11, 25). E ainda o episódio da mulher siro-fenícia: É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas das crianças (Mc 7, 28).

Talvez o caso mais típico seja o encontro de Jesus e da samaritana na beira do poço, no capítulo quarto do Evangelho de João. João é o evangelista dos símbolos: costura a sua narração em torno de duas pessoas, duas sedes e duas águas. Quem no início tem sede, no decorrer da conversa oferece água; e quem tem as condições de tirar água do poço, acaba revelando sua sede mais profunda. Ou seja, ninguém é só água e ninguém é só sede. Todos nós somos constituídos de uma mistura de sede e água. É o encontro da água e da sede que acaba tornando possível o processo de evangelização. O problema é ter coragem de revelar a própria sede. Jesus o faz por duas vezes, diante da mulher e no alto da cruz.

Quem sabe reside aqui o maior mal da Igreja atualmente! Ao invés de revelar a própria sede diante dos pobres e excluídos, segue muitas vezes com a pretensão de só ter água para oferecer. Daí a noção errônea de levar o Evangelho ao que não o conhecem. Evangelho não se leva, se vive e se testemunha! A água que queremos levar, tal como as sementes do Reino, já se encontram no coração de cada pessoa e no coração de cada cultura, segundo a própria Doutrina Social da Igreja. Essa pretensão gera muitos discursos, documentos, encíclicas, sermões, cartas, por um lado, e poucos gestos de humildade e de verdadeira comunicação, por outro.

Nesse episódio, quem é o evangelizador e quem é o evangelizado? Sou tentado a dizer que nem Jesus nem a mulher. O poço é que evangeliza! Ou seja, é a coragem de abrir poços, encontros, que nos abre ao processo verdadeiro e inculturado da evangelização. As páginas do Evangelho revelam isso: a prática evangelizadora de Jesus é a de abrir poços, encontros, com as pessoas mais inesperadas. Passa por cima de todos os preconceitos e de toda discriminação, e vai ao encontro das pessoas. Abre-lhes o coração e provoca abertura da parte delas. Seu olhar misericordioso vê não tanto o pecado acumulado ao longo da história de cada um, mas o quanto a pessoa foi capaz de amar: Seus numerosos pecados são perdoados, porque ela demonstrou muito amor (Lc 7, 47). O mesmo se repete com a mulher adúltera: Ninguém te condenou?... Nem eu te condeno. Vai em paz e de agora em diante não tornes a pecar (Jo, 8, 10-11). Jesus repudia o pecado, mas, pelo dom do perdão, abre novas possibilidades ao pecador.

E está aberto assim o caminho para a evangelização. Esta tem sempre mão dupla. Parafraseando Paulo Freire (Educação como prática da liberdade), podemos dizer que ninguém evangeliza ninguém e ninguém se evangeliza sozinho. As pessoas se evangelizam mutuamente, na medida em que se abrem ao processo de conhecimento recíproco e de encontro. Essa abertura é tanto mais válida e necessária quanto mais o pluralismo cultural e religioso tomam conta de todo o planeta.

Nesta perspectiva, como lembra o Documento de Aparecida, os migrantes passam a ter um papel importante, como discípulos missionários frente ao desafio da evangelização. Diz Gadamer (Verdade e Método) que o outro tem algo a dizer não apenas sobre si, mas sobre mim mesmo”. E Habermas (A Inclusão do Outro) insiste sobre o desafio atual de construir sociedades democráticas com base em povos heterogêneos, seja do ponto de vista histórico e territorial, seja do ponto de vista linguístico e cultural. Lévinas e Touraine (respectivamente Totalidade e Infinito e Poderemos viver juntos?), por sua vez, sublinham que o próprio encontro comigo mesmo passa, necessariamente, pela relação com o outro e com Deus, numa circularidade dinâmica e dialética.

Vale concluir com a frase evangélica de que Jesus falava como quem tem autoridade. De onde lhe vinha semelhante autoridade? Certamente não dos diplomas, dos títulos ou de uma posição de hierarquia. Vinha da sintonia entre a intimidade com o pai, por uma parte e, por outra, amor, da misericórdia e da compaixão para com os pobres, indefesos, doentes, fracos, débeis, e assim por diante. Sendo a ponte entre a montanha e a rua, seu coração torna-se a casa dos sem teto, sem rumo e sem pátria.

Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS

Enviado por Pe. Paulo Caovila - por email

domingo, 4 de abril de 2010

Ressuscitou


“Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui, ressuscitou!” (Lc 24, 5b-6). Três dias após a morte de Jesus, algumas mulheres foram ao seu túmulo, ouviram este anúncio e se tornaram mensageiras dessa boa notícia.


Também hoje a Igreja testemunha e anuncia, como fez através dos séculos: Jesus Cristo, morto na cruz, ressuscitou, está vivo e presente no meio de nós! Por infinita condescendência para conosco, Deus tornou-se próximo de nós e manifestou-nos amor sem medida, iluminou e deu sentido novo à vida através da ressurreição de Jesus.


A Páscoa, passagem das trevas para a luz, da morte para a vida, empenha-nos decididamente na superação dos sinais de morte ainda presentes na cultura e na convivência humana. O anúncio pascal traz a certeza de que a injustiça e o egoísmo, a violência e o ódio não terão a última palavra sobre a existência.


A Páscoa faz-nos abraçar a defesa da vida humana, em todas as suas fases, e da natureza, ambiente da vida, dom do Criador. O cuidado da Terra, nossa casa comum, e o zelo pela sua capacidade de acolher e abrigar a vida são cada vez mais urgentes e requerem o esforço solidário de todos; essas atitudes decorrem do respeito a Deus criador e amigo da vida.


Não é belo, não é coerente com nossa fé, não é justo com o próximo promover a violência, a cultura da morte, o desprezo à obra de Deus e à vida de nossos semelhantes. A ressurreição de Jesus Cristo revela que Deus está do lado da vida; por isso, somos convocados a estar desse lado também.


Ressuscitou! Não está mais entre os mortos! O amor de Deus, manifestado a nós na ressurreição de seu Filho Jesus Cristo, alimenta a alegria e a esperança; ao mesmo tempo, faz-nos participar da edificação da sociedade, segundo os critérios da verdade, da justiça e da solidariedade. A Páscoa de Jesus é sinal da vitória possível sobre a morte e todos os males.


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, ao formular votos de feliz e abençoada Páscoa, convida todos a abraçarem, de maneira decidida, a causa da vida.


Jesus Cristo, que passou da morte para a vida, fortifique nossa esperança. O Deus da vida abençoe a todos.


Mensagem de Páscoa da CNBB

quarta-feira, 24 de março de 2010

A Páscoa é nossa vocação

A partir da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo se fortalece a convicção dos vocacionados e vocacionadas que, confirmados em sua vocação, são enviados à missão

A Páscoa é nossa vocação, tanto no sentido de passagem ou êxodo rumo à terra prometida, quanto no significado de uma vida nova que brota no coração que celebra, na intensidade litúrgica, o mistério da morte e ressurreição do Senhor. É exatamente esta acentuada tonalidade pascal de nossa vocação e missão que desejamos meditar neste espaço.

Fora da esfera da Páscoa de Jesus Cristo nenhuma vocação encontra sentido e muito menos a nossa de consagrados e consagradas. Seríamos seguidores e seguidoras de um jovem crucificado, portador de nobres ideais, mas que jazia no túmulo frio onde repousava um corpo sem vida e abatido diante do triunfo da morte, expressão do egoísmo, da injustiça e de outras maldades.

A Páscoa é a festa da vida. A partir da Páscoa de Jesus Cristo temos a plena convicção de que somos vocacionados seguidores do crucificado ressuscitado, que nos confirma na vocação e nos envia à missão. Ambas, vocação e missão, são sinais de vida e estão à serviço dela.

A vocação como experiência da cruz
Desde o chamado de Deus e do sim que pronunciamos em nossa resposta vocacional percebemos a presença da cruz (Jo 15,20). Nosso sim, contrariando talvez as próprias expectativas, não nos isenta do sofrimento e de tantas contradições. A resposta generosa ao chamado de Deus que renovamos no cotidiano da vida bem que poderia ser a garantia de que a cruz estaria sempre longe dos vocacionados, e a certeza da ausência de qualquer contradição que manifestasse nossa fragilidade e incoerências. Mas nada disso acontece. Antes, a fragilidade nos acompanha ao longo do caminho vocacional que vamos trilhando no dia a dia da história.

Muitos pensam que os vocacionados, por causa da generosidade de sua resposta e da grandeza de sua opção vocacional, são poupados da cruz que se manifesta nas situações difíceis da aventura humana. Mas sabemos pela própria experiência que a realidade não é bem assim. Nossa vocação passa de alguma maneira e de diferentes formas pelo monte calvário, onde fora crucificado o Mestre que seguimos. Por mais radical que seja a nossa opção vocacional e por mais profunda que seja a entrega incondicional do vocacionado à causa do reino, ainda assim, ninguém esta isento da cruz. Mas isso não é motivo de desânimo nem justificativa para rever a opção ou mudar a direção do caminho.

Na realidade, os sofrimentos e as contradições que enfrentamos no desenvolver e na vivência de nossa vocação nos aproximam de Jesus crucificado e nos permitem aprofundar o sentido de nossa opção e suas conseqüências para a sociedade, para a Igreja e para o reino. De outra parte, devemos ter medo de uma vocação sem cruz, sem sofrimentos e dificuldades. Isso poderia ser sinal de comodismo, de indiferença aos problemas do mundo e claro sinal da ausência do profetismo que caracteriza a vocação dos seguidores de Jesus Cristo.

Uma vocação sem cruz certamente esta longe da radicalidade evangélica de amor incondicional aos irmãos, principalmente aos menos favorecidos, e da defesa da justiça. Deus nos livre de uma vocação tipo “mar de rosas”, sem dificuldades, doce, tranqüila e bastante cômoda e repleta de certezas. Antes, pedimos a Ele a força da fé, a sabedoria no discernimento constante e a humildade para enfrentar as cruzes com fidelidade evangélica e olhando sempre para o Crucificado, que nos ensina a levar a cruz com o coração amoroso e não com os ombros de um escravo. Pois levá-la com os ombros seria experimentar a escravidão, sentir o peso de um castigo que é desconhecido pelos vocacionados, que carregam o madeiro com a força que vem do coração, dispostos a seguir Jesus a qualquer preço e sem nenhuma condição ou pedido de recompensa.

A realidade pascal da vocação
Se a cruz de uma ou de outra maneira marca o caminho de cada vocacionado, que desde a própria fragilidade busca ser “luz do mundo e sal da terra” (Mt 5,13.14), ela também nos prova e nos permite dar testemunho de adesão amorosa e fiel ao evangelho de Jesus Cristo. Por isso, não temos nenhuma dúvida em afirmar que a vivência de cada vocação comporta uma experiência pascal. Nela vivemos situações de cruzes e dificuldades, mas também recebemos a graça de uma vida nova que nos permite sentir o gosto da vitória de Cristo Ressuscitado.

Cada dia nos é oferecida a oportunidade de dar testemunho de Jesus Cristo e de ratificar nossa opção vocacional. Sacerdotes, religiosos ou cristãos leigos, todos somos chamados a repetir a experiência dos discípulos de Emaús e a caminhar com o Ressuscitado que nos acompanha, mesmo quando o coração está ferido ou decepcionado e chega a pensar que já não há mais espaço para a esperança (Lc 24,13-35).

Nem a cruz, nem qualquer outra contradição e dificuldade, poderá nos afastar do amor de Cristo (Rm 8,35). Esta é a convicção do apóstolo dos gentios que também bate em nosso coração vocacionado e pascal. Caminhamos com plena certeza de que o Ressuscitado nos acompanha e nos abençoa na vivência vocacional e no desenvolvimento de nossa missão (Mt 28,19-20). Aquele que nos chamou para segui-lo, deixando as barcas e as redes para trás (Mc 1,16-20), é o mesmo que nos oferece garantias de que estará sempre conosco pelos caminhos da Galiléia (Mc 15,7), deste novo tempo marcado pelos desafios da ideologia neoliberal e da globalização.

Páscoa é vida nova para todos nós, qualquer que seja a vocação abraçada, à qual nos esforçamos para viver plenamente no interior de nossas comunidades. Nesta solenidade de cruz e ressurreição, todos são chamados a renovar a opção vocacional e a dar testemunho transparente de Jesus Cristo vivo dentro de nós e no meio do mundo. Podemos até sentir o peso da cruz e cansar ao longo da caminhada, mas não temos motivos para nos desanimar se nossa fé aponta para o Ressuscitado, que não nos abandona em meio às tribulações da história e nem nos deixa sozinhos na missão.

A vocação como Páscoa (êxodo - passagem)

Se a opção vocacional sempre exige uma ruptura, um êxodo ou uma passagem de uma para outra realidade, podemos então confirmar que a experiência vocacional tem algo pascal no sentido de busca da terra prometida, conforme experimentou o povo de Deus sob a liderança de Moisés (Ex 3). Tal experiência, de saída da situação de escravidão no Egito em direção à “terra do leite e mel”, acontece com cada vocacionado. Ao escutar e responder ao chamado vocacional, deixamos uma determinada situação e nos colocamos a caminho na esperança de realizar nossos sonhos e de concretizar a vocação recebida como dom. Na dinâmica vocacional de chamado-resposta há sempre uma experiência de êxodo, que nem sempre é fácil e para uns custa mais do que para outros. Assim deparamo-nos com outra realidade inerente a toda vocação: a coragem do êxodo.

O chamado vocacional exige esta capacidade de sair, deixar e partir, a exemplo do velho Abraão (Gn 12). Bem verdade, na vivência de nossa vocação, qualquer que seja ela, há sempre a necessidade de sair, mudar e partir. Às vezes, trata-se de uma experiência histórica no sentido de deixar um lugar, uma casa e uma comunidade para ir rumo a novas e desafiadoras realidades. Outras vezes, devemos fazer um êxodo espiritual, deixar antigas maneiras de viver nossa opção e buscar um jeito novo, que traz oxigênio para nosso espírito e coração. Se nos acomodamos e perdemos a capacidade de fazer os necessários êxodos vocacionais e missionários, corremos o risco de ficar repetindo os velhos esquemas, dizer sempre as mesmas coisas e esquecer de avançar para as águas mais profundas de nossa opção vocacional.

Neste sentido, também meditamos a Páscoa situando-a no âmbito das diversas passagens que somos chamados a realizar ao longo do caminho vocacional que percorremos. São passagens ou êxodos que nos permitem aprofundar o significado da Páscoa e nos chamam à conversão. Cada êxodo que fazemos, mesmo se por caminhos que cruzam o deserto, nos oferece a oportunidade de testemunhar o Ressuscitado e assinalar a Páscoa definitiva de nossa vocação.

Chamados a dar testemunho do Ressuscitado
Nossa vocação cristã no atual contexto histórico é um compromisso a ser, mais que em outros tempos, aqueles que testemunham e anunciam a boa notícia de Jesus Cristo vivo no meio do mundo. Em outras palavras, podemos afirmar que nossa vocação coincide plenamente com a esperança e com a fé alicerçada em Deus, que guia a história e nos chama a conduzi-la pelos caminhos do evangelho.

Nossa vocação, em última análise, é dar testemunho da ressurreição do Crucificado e caminhar até a total realização do reino. Desta maneira, celebrar a Páscoa do Senhor é para nós, vocacionados e vocacionadas, a graciosa oportunidade de repetir o gesto do jovem Tomé de tocar com as próprias mãos o Cristo ressuscitado. Como ele, também nós, na fragilidade da fé, carregamos as dúvidas, dentre outros sinais de incredulidade. Mas também temos, ao lado de nossas fraquezas, a força da fé que nos faz testemunhas de Jesus e construtores de seu reino.

Não somos seguidores de um fantasma, e muito menos de um magnífico discurso ou teoria religiosa. Quem nos chamou, e aquele ao qual seguimos, não é outro senão Jesus Cristo, morto e ressuscitado, que nos confirma no seguimento e nos antecipa na missão de construir o reino. Esta é a fé que transborda em nosso coração vocacionado neste tempo pascal que celebramos com amor e esperança. Aqui fincamos as raízes mais profundas de nossa vocação, que se realiza em meio às adversidades e cruzes até à Páscoa definitiva de cada vocacionado em Cristo.

Vida nova para todos vocacionados
A participação junto com nossas comunidades na celebração do tríduo pascal, nos renova e nos dá novo ânimo na vivência da vocação a qual fomos chamados desde o ventre materno (Jr 1,5). Todos os anos, em cada Páscoa, temos a oportunidade de meditar o mistério da Páscoa de Jesus e refazer a opção vocacional diante do Ressuscitado.

A Páscoa é o melhor momento para meditar nossa vocação, aprofundar nossas opções e rever as alternativas que vamos assinalando nos passos da caminhada e no desenvolvimento de nossa missão. Nesta festa solene, que nos remete a história do antigo e do novo povo de Deus, percebemos o peso e o sentido da cruz, o vazio do sábado à beira do túmulo e a alegria da ressurreição. Não resta dúvida, que em cada Páscoa que celebramos o coração se renova, a vocação se fortalece e experimentamos a vida nova junto ao Ressuscitado.

Durante a semana santa, revivemos cada passo de Jesus, sua vida, seu ministério, a tragédia do calvário e a glória da ressurreição. Cada um destes momentos litúrgicos desperta em nosso coração vocacionado algumas dimensões, que talvez vão perdendo seu vigor no decorrer do ano em meio a tantas atividades que realizamos. Importa chegar ao domingo da ressurreição submersos pela alegria do amor, a ousadia do perdão e a força do Cristo vivo que caminha conosco como Emanuel – Deus conosco – pelos caminhos da missão (Mt 1,23; 28,20). Por isso, podemos afirmar e concluir que a Páscoa é uma festa vocacional onde cada um dos chamados renova e aprofunda sua opção pelo Ressuscitado.

Texto extraído do site
http://www.pnsg.com.br/

Enviado por Pe. Paulo Caovila

sábado, 20 de março de 2010

Parte VII - O desafio de quem trabalha com a juventude

7. Bons catequistas educam para o sacramento da crisma, catequistas fascinantes educam para a vida

Este hábito dos catequistas fascinantes contribui para desenvolver: solidariedade, superação de conflitos psíquicos e sociais, espírito empreendedor, capacidade de perdoar, de filtrar estímulos estressantes, de escolher, de questionar, de estabelecer metas.

Um bom catequista prepara seus jovens para o sacramento da crisma, um catequista fascinante os educa para a vida. Catequistas fascinantes são cristãos revolucionários. Os mestres fascinantes podem ser desprezados e ameaçados, mas sua força é imbatível. São incendiários que inflamaram a sociedade e a comunidade com o calor da sua inteligência, compaixão e singeleza. São fascinantes porque são livres, são livres porque pensam, pensam porque amam solenemente a vida.
Os catequistas fascinantes são promotores de auto-estima. Dão uma atenção especial aos alunos desprezados, tímidos e que recebem apelidos pejorativos. Como poetas, estendem a sua mão e mostram-lhes sua capacidade interior. Estimulam-nos a usar a dor como adubo para seu crescimento. Deste modo os catequistas preparam os jovens para sobreviver nas tormentas sociais.
Os catequistas fascinantes objetivam que seus alunos sejam lideres de se mesmos. Proclamam de diversas formas em sala de aula aos seus crismandos: “Que vocês sejam grandes cristãos. Dêem testemunho, não tenham medo de falhar. Se falharem, não tenham medo de chorar. Se chorarem, repensem a sua vida, mas não desistam. Dêem sempre uma nova chance a si mesmos.”
Digam também aos jovens nas suas maiores tribulações: “Os perdedores vêem os raios. Os vencedores vêem a chuva e com ela a oportunidade de cultivar. Os perdedores paralisam-se diante de suas perdas e frustrações. Os vencedores vêem a oportunidade de mudar tudo de novo. Nunca desistam de seus sonhos.”
Prepare seus crismandos para explorarem o desconhecido, para não terem medo de falhar, mas medo de não tentar. Ensine-os a conquistar experiências originais, através da observação de pequenas mudanças e da correção de grandes rotas.
Leve os jovens a ter flexibilidade no trabalho e na vida, pois só não muda de idéia quem não é capaz de produzi-la. Leve-os a extrair de cada lágrima uma lição de vida.


Baseado no livro "Pais brilhantes, professores fascinantes" do Psiquiatra, cientista e autor Augusto Cury. pags 57 a 81.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Parte VI - O desafio de quem trabalha com a juventude


6. Bons catequistas corrigem comportamentos, catequistas fascinantes resolvem conflitos nos encontros de crisma


Este hábito dos catequistas fascinantes contribui para desenvolver: superação da ansiedade, resolução de crises interpessoais, socialização, proteção emocional, resgate da liderança do eu nos focos de tensão.

Bons catequistas corrigem o comportamento agressivo do crismando. Catequistas fascinantes resolvem conflitos nos encontros de crisma. Entre corrigir comportamentos e resolver conflitos há uma distância maior que do que imaginamos. Resolver conflitos durantes os encontros é um tema novo em nossa realidade.


Em primeiro lugar é preciso conhecer a síndrome SPA. Em segundo, os catequistas necessitam proteger sua emoção diante do calor dos conflitos dos crismandos, caso contrario, um atrito poderá desgastá-lo profundamente. Em terceiro lugar, diante de qualquer atrito, ofensa ou crise entre os crismandos ou dos crismandos com o catequista, a melhor resposta é não dar resposta alguma. Nos primeiros trinta segundos em que estamos tensos, cometemos nossos piores erros, nossas piores atrocidades. No calor da tensão, seja amigo do silêncio, respire fundo.


Por que usar a ferramenta do silêncio? Porque emoção fecha o território da leitura da memória, obstruindo a construção de cadeias de pensamentos. Deste modo, reagimos por instinto, como animais, e não com a inteligência.
Em quarto lugar, não procure dar lição de moral em foi agressivo. Este procedimento é usado desde a idade pedra e não é eficaz, não gera um momento educacional, pois a emoção do agressor está tensa, e sua inteligência, obstruída.


O que fazer? Surpreenda seus alunos. Leve-os a pensar, a mergulhar dentro de si mesmos, a se confrontar consigo mesmos. Não é uma tarefa fácil, mas é possível. Se o jovem for agressivo, seja bondoso. Se ele gritar, fale normalmente e educação. Assim você irá surpreendê-lo. O afeto e a inteligência curam as feridas da alma.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Parte IV

4. Bons catequistas usam a memória como deposito de informações, professores fascinantes usam-na como suporte da arte de pensar

Este hábito dos catequistas fascinantes contribui para desenvolver: pensar antes de reagir, expor e não impor as idéias, consciência crítica, capacidade de debater, de questionar e de trabalhar em equipe.

Bons catequistas usam a memória como armazém de informações, catequistas fascinantes usam a memória como suporte da criatividade. Bons catequistas cumprem o conteúdo programático dos encontros, catequistas fascinantes também cumprem o conteúdo programático, mas seu objetivo fundamental é ensinar os crismandos a serem pensadores e não repetidores de informações.

A educação clássica trasnformou a memória humana num banco de dados. A memória não tem essa função. Ocupamos um espaço precioso da memória com informações pouco úteis e ate inúteis. O objetivo da memória não é dar suporte para a lembrança, mas para a reconstrução criativa do passado. A memória clama para que o ser humano seja criativo, mas a educação clássica clama para que seja repetitivo. A memória humana é um canteiro de informações e experiências para que cada um de nós produza um fantástico mundo de idéias. Aonde chegamos depende do quanto libertamos a arte de pensar.

Os encontros de crisma deveriam promover a criatividade, estimular o desenvolvimento do livre pensamento, cultivar o raciocínio, expandir a capacidade de argumentação dos crismandos. Temos de estimular nossos jovens a abrir as janelas da mente, a ter ousadia para pensar, questionar, debater, romper paradigmas. Catequistas fascinantes formam pensadores que são autores da sua história.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Parte III



3. Bons catequistas educam inteligência lógica, catequistas fascinantes educam a emoção.

Este habito de catequistas fascinantes contribui para desenvolver: segurança, tolerância, solidariedade, perseverança, proteção contra estímulos estressantes, inteligência emocional e interpessoal.
Bons catequistas ensinam seus crismandos a explorar o mundo em que estão do imenso espaço ao pequeno átomo. Catequistas fascinantes ensinam os jovens a explorar o mundo que são, o seu próprio ser. Sua educação segue as notas da emoção. A emoção pode transformar ricos em paupérrimos, intelectuais em crianças, poderosos em frágeis seres.
Eduque a emoção com inteligência. E o que é educar a emoção? È estimular o jovem a pensar antes de reagir, a não ter medo do medo, a ser líder de si mesmo, autor da sua história, a saber filtrar estímulos estressantes e a trabalhar não apenas com fatos lógicos e problemas concretos, mas também com contradições da vida. Educar a emoção também é se doar sem esperar retorno, ser fiel á sua consciência, extrair prazeres dos pequenos estímulos da existência, saber perder, correr riscos para transformar os sonhos em realidade, ter coragem para andar por lugares desconhecidos.
Infelizmente mergulhamos na sociedade sem qualquer preparo para viver. Somos vacinados desde a infância contra vírus e bactérias, mas não recebemos nenhuma vacina contra as decepções, frustrações e rejeições. Quantas lagrimas, doenças psíquicas, crises no relacionamento e até suicídios poderiam ser evitados com a educação da emoção. Temos que formar jovens que tenham uma emoção rica, protegida e integrada.

Pe. Bruce Eder - baseada no livro "Pais brilhantes, professores fascinantes" do Psiquiatra, cientista e autor Augusto Cury. pags 57 a 81.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O desafio de quem trabalha com a juventude


Estava outro dia navegando pela Internet e encontrei o Blog do Pe. Bruce Eder, nele havia uma reflexão, na verdade uma adaptação baseada no livro "Pais brilhantes, professores fascinantes" do Psiquiatra, cientista e autor Augusto Cury. pags 57 a 81.

O texto vem ao encontro de muitos medos e desafios daqueles que trabalham com a juventude, principalmente o catequista de Crisma. Não que todos possam ser brilhantes a ponto de ter essas 7 características, mas claro que podemos aprender com a reflexão, com a explanação e tentar aplicar.

Começarei hoje a colocar aqui os tópicos, em 7 posts. Aproveitem!!!
Feliz Ano Novo para vocês!!!

1. Bons catequistas são eloqüentes, catequistas fascinantes conhecem o funcionamento da mente

Este hábito dos catequistas fascinantes contribui para desenvolver no crismando: capacidade de gerenciar os pensamentos, administrar as emoções, ser líder de si mesmo, trabalhar perdas e frustrações, superar conflitos.

Bons catequistas têm um bom conhecimento da doutrina cristã e transmitem com segurança e eloqüência as informações nos encontros de crisma. Os catequistas fascinantes ultrapassam essa meta. Eles procuram conhecer o funcionamento da mente dos jovens para catequizar melhor. Para eles, cada crismando não mais um jovem, mas um ser humano complexo, com necessidades peculiares.

Os catequistas fascinantes transformam a informação em conhecimento e o conhecimento em experiência.Toda e qualquer tipo de educação passa por uma crise sem precedentes. Os jovens estão alienados, não se concentram, não têm prazer em aprender e são ansiosos. O palco da mente das jovens de hoje é diferente dos jovens do passado. A qualidade e a velocidade dos pensamentos mudaram. O catequista fascinante precisa entender a mente do jovem e procurar respostas incomuns, diferentes daquelas a que eles estão acostumados.

A síndrome SPA (Sindrome do Pensamento Acelerado)
A televisão mostra mais de sessenta personagens por hora com as mais diversas características e personalidade. Essas imagens são registradas na memória e competem com a imagem dos pais e professores. Os catequistas perdem a capacidade de influenciar no mundo psíquico dos jovens. Seus gestos e palavras não têm impactos emocionais e, conseqüentemente, não sofrem um arquivamento privilegiado capaz de produzir milhares de outras emoções e pensamentos que estimulam o desenvolvimento da inteligência. Freqüentemente é preciso gritar para obter o mínimo de atenção.

A ansiedade da SPA gera uma compulsão por novos estímulos, numa tentativa de aliviá-la. Embora menos intenso, o principio é o mesmo que ocorre na dependência de drogas. Os usuários de drogas usam sempre novas doses para tentar aliviar ansiedade gerada pela dependência. Quanto mais usam, mais dependentes ficam.

Os portadores de SPA adquirem uma dependência por novos estímulos. Eles agitam na cadeira, têm conversas paralelas, não se concentram, mexem com os colegas.

Pe. Bruce Eder - baseada no livro "Pais brilhantes, professores fascinantes" do Psiquiatra, cientista e autor Augusto Cury. pags 57 a 81.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Individualismo

Os conflitos da independência começam em casa



Hoje confundimos pessoa, indivíduo, personalismo e individualismo. Nossa cultura está marcada pela supremacia do individualismo em detrimento do altruísmo e do personalismo. O outro, o próximo, o semelhante, o irmão, o diferente, o necessitado são colocados em segundo lugar e até descartados. O individualismo globalizado se expressa na absolutização do ter, do poder e do prazer. Os outros são perdedores, descartáveis, sobrantes, excluídos. Vejamos alguns aspectos do individualismo:

1. A arbitrariedade. O individualismo se manifesta na arbitrariedade que é uma atitude de poder, de julgamento, de superioridade, centralidade e dominação. Quando a arbitrariedade significa desobediência, rebeldia, orgulho, entram em crise valores éticos, religiosos, sociais e a justificação dos interesses pessoais, caem as instituições, a objetividade, o bom senso e o respeito pela verdade.

2. O bem material. A pessoa individualista desvaloriza o bem comum, a justiça social, a compaixão. O dinheiro, a ambição, a ganância, o lucro é o que interessa. O "ter mais" vence o "ser mais". Cresce a indiferença pelo outro. A competição, a corrupção, a concentração dos bens aumenta a desigualdade social. Quem cai no individualismo torna-se insensível, cego, escravo de cálculos e ambições. Não se pergunta se os outros estão bem e não se interessa em ser bom para os outros.

3. A satisfação erótica. O erotismo é filho legítimo do egoísmo individualista, do amor desordenado de si mesmo, do prazer imediato e sem compromisso que, hoje, se caracteriza pela orgasmomania e orgasmolatria, balbúrdia sexual. O machismo tem muito de egoísmo e erotismo. Acontece no erotismo a centralização do ego e a subjugação do outro, afirmação de si e a negação do outro. A espiral do erotismo abre as portas ao alcoolismo, às drogas e ao vazio existencial.

4. A legitimação dos desejos. O consumismo, através da propaganda, trabalha com os desejos. Ora cria desejos, ora os aguça. Somos escravos de desejos desordenados. O mercado excita os desejos das crianças, jovens e adultos e os legitima como felicidade, bem-estar, autorrealização e autoprojeção. Promete mundos maravilhosos, messiânicos, efêmeros e eficazes. A vida é vivida como um espetáculo, uma satisfação de desejos, sensações e curtições.

5. A imposição dos direitos individuais. Eu quero, eu sei, eu desejo, eu tenho direito, eu decido, eu mando. É a defesa arbitrária de direitos individuais sem compromisso ético, religioso, jurídico, social. Não podemos ser prisioneiros das modas do momento e ferir a verdade, o bem e a justiça; defendendo direitos individuais de modo arbitrário como o aborto, a eutanásia, a clonagem etc. Quem quer ser o único produtor de si mesmo acaba degradando-se.

6. A autossuficiência. Consiste em viver sem Deus, sem mandamentos, sem família, sem matrimônio e sem a comunhão com os outros e os valores objetivos. É a indiferença pelos outros, pelas instituições, pelas normas, num narcisismo sem limites. O autossuficiente é folgado, agressivo, independente, onipotente com grande risco de tornar-se delinquente.

7. A independência. O individualismo é egolatria, autonomia, solidão, rebeldia. Os conflitos da independência começam em casa, no namoro, na escola e no estilo de vida liberal, independente, permissivo. A pessoa pautada pela independência, assume atitudes de arrogância, arbritariedade, indiferença, antipatia e agressividade. Chega a ser antissocial e contestadora das realidades objetivas da vida.

8. O egoísmo. A centralização de si, o egocentrismo é um dos piores recalques da humanidade. Quando socializado, o egoísmo tem o nome de lucro, sucesso, consumismo, livre escolha. O que vem primeiro são as diversões, a curtição, o imediato, a estética, a dimensão lúdica da vida. O importante é o agora, o espetáculo, as distrações, o corpo.

O egoísmo globalizado gera "povos da opulência e povos da indigência", alarga as desigualdades entre ricos e pobres, o império do mercado e a iniquidade social. O egoísmo é o caminho do abismo.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina (PR)

Fonte: Canção Nova

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Mensagem pelo Dia da Beatificação de Scalabrini


Aniversário do seu nascimento ao céu- (1905 - 1º junho - 2009)

Queridos missionários e queridas missionárias da família Scalabriniana, enquanto tomavam corpo as migraçőes de massa do século XIX, o Espírito Santo suscitava no coraçăo do Bem Aventurado Joăo Batista Scalabrini um carisma novo, isto é, a solicitude pastoral para os migrantes, em vista da construçăo do Reino, e a realizaçăo da comunhăo pentecostal das diversidades, para a unidade da família humana. O dia primeiro de junho de 1905 marcou o fim da peregrinaçăo terrestre de Dom Scalabrini e o seu nascimento ao céu, mas o carisma do Espírito, doado ŕ Igreja através dele, continuava sendo fecundo e, hoje é ainda tăo atual, considerando que as migraçőes assumiram uma dimensăo global e missionária.

Por ocasiăo do 104° aniversário de sua partida, portanto, é lindo e oportuno juntos renovar a estima, a afeiçăo e a devoçăo que nos ligam ao Bem Aventurado Fundador, também com o desejo de logo vę‐lo entre os Santos, com os servos de Deus Pe. José Marchetti, Madre Assunta Marchetti e o venerável Dom Máximo Rinaldi.

Dom Scalabrini fundou em 1887 a Congregaçăo dos Missionários de Săo Carlos, “embaixadores de Cristo junto aos italianos no exterior”, como os definiu Leăo XIII. Em 1895 deu vida ŕquela das Irmăs Missionárias de Săo Carlos Borromeo ‐ Scalabrinianas, nascida na capela do Bispado de Piacenza a fim de completar a obra missionária scalabriniana, desenvolvida em clima de amor, de sacrifício e de oferta no orfanato de Săo Paulo, Brasil. Em 1889 fundou, na Itália, a Sociedade Săo Rafael para garantir a organizaçăo do empenho social do laicato católico na resposta da Igreja ŕs migraçőes. Enfim, em 1961, surgiram as Missionárias Seculares Scalabrinianas, inspirando‐se na sua espiritualidade. Com efeito, os tręs Institutos Religiosos que hoje compőem nossa Família Scalabriniana estăo empenhados, na Igreja e nas estradas do mundo, a imitar “as suas mais elevadas virtudes e primeiramente, aquela que foi a princesa, a caridade”, como afirmou Bento XV.

Pio IX o definiu “Apóstolo do Catecismo” e Pio X viu nele “o bispo sábio, benévolo e forte, que também em duros acontecimentos sempre defendeu amou e fez amar a verdade e nunca a abandonou por ameaças ou lisonjas”. Pio XI, que se compraz, “em testemunhar o espírito năo somente pastoral e episcopal, mas verdadeiramente apostólico e missionário” do “Santo Bispo”, aprovou, com “uma bęnçăo extraordinária e de todo o coraçăo”, a abertura dos processos ordinários diocesanos sobre a fama de santidade e sobre as virtudes heróicas de Dom Scalabrini, em 1936. Pio XII, em seguida, reconheceu nele “o homem apostólico, extraordinariamente benemérito da Igreja e da Pátria”.

Paulo VI recordou a validade do carisma deixado em herança à Igreja, pelo Bem Aventurado Scalabrini, e particularmente à Família Scalabriniana, na audięncia concedida em 8 de maio de 1968 ŕ alguns missionários, declarando: “Nós bem recordamos a figura de Dom Scalabrini. Vocęs săo seus filhos e năo trilham os caminhos periféricos, mas estăo na via mestra da Igreja”.

Joăo Paulo II, dirigindo‐se aos peregrinos vindos a Roma para a beatificaçăo do nosso Fundador, na solene celebraçăo de 9 novembro de 1997, o definiu publicamente “Pai dos Migrantes” e disse que o Bem Aventurado Joăo Batista Scalabrini, “profundamente enamorado de Deus e extraordinariamente devoto da Eucaristia, soube traduzir a contemplaçăo de Deus e do seu mistério em uma intensa açăo apostólica e missionária, fazendo‐se tudo a todos a fim de anunciar o Evangelho”.

Enfim, Bento XVI, ŕ distância de poucas semanas do inicio de seu Pontificado, assim se expressou: “profundamente devoto do Coraçăo de Cristo foi o Bem Aventurado Bispo Joăo Batista Scalabrini, patrono dos migrantes. (…) Recordando este grande Bispo, dirijo meu pensamento ŕqueles que se encontram longe da Pátria e, frequentemente, também da família e desejo que sempre encontrem em seu caminho, pessoas amigas e de coraçăo acolhedor, capazes de apoiá‐los nas dificuldades de cada dia”.

Agora chegou o momento propício de propor a todos, de modo frequente e explícito, a figura de um Bispo Santo que, lutando e sofrendo, serviu a Deus com todo seu ser e, em comunhăo com o Magistério da Igreja, amou o homem com dedicaçăo heróica, conjugando sabiamente evangelizaçăo e promoçăo humana. Ele anunciou o plano de Deus, escondido nas migraçőes, especialmente através da formaçăo, da catequese e da defesa dos direitos humanos.

Sem medir energias traçou a via mestra para “fazer de todos os povos um só povo, de todas as famílias uma única família”. Nas pegadas do Fundador, destaca‐se a figura de Pe. José Marchetti, que se fez vítima de seu próximo por amor a Deus, empenhando‐se, mediante o voto de caridade, “antepondo em tudo o próximo” a si mesmo, até a sua saúde e a sua vida, tornando‐se assim o “Pai dos Órfăos e o Mártir da Caridade”.

Irmanada no sangue e no ardor da caridade, está Madre Assunta Marchetti, iniciada no âmbito da vida familiar ŕ especial vocaçăo de explicitar, defender e apoiar corajosamente, no Instituto das Irmăs Scalabrinianas, o carisma de fundaçăo e de expressá‐lo na coeręncia de vida e na açăo apostólica.

Por último na ordem do tempo mas năo de importância, nomeamos o Venerável Bispo Máximo Rinaldi, que foi “um Pastor, um Mestre e um Pai”.

Portanto, a Família Scalabriniana rende graças a Deus pelo dom da santidade concedido a estes nossos heróis, os quais, ŕ imitaçăo de Săo Paulo, “foram modelados em tudo para obter uma coroa incorruptível; correram, năo como quem năo tem meta; submeteram o corpo ŕestremas fadigas apostólicas ” (cf. 1Cor 9, 25‐27). Logo, também nossa oraçăo em vista do reconhecimento oficial da santidade deles, através da beatificaçăo e canonizaçăo, partilhada também, com os leigos e, em especial com os jovens, deverá ser mais solícita e urgente.

Reavivando a memória destes nossos antecessores, de fato, também nos sentiremos estimulados e atraídos a imitar os admiráveis exemplos. Se esta tem sido a fonte da qual nasceu a nossa Família Religiosa, o nosso estilo de vida apostólica năo pode ser diferente. Além disso, nos nossos Santos a Igreja confirma a sua solicitude para com o fenômeno das migraçőes, que se apresenta também hoje em toda a sua atualidade e dramaticidade. Se em outros tempos eram sobretudo os europeus que emigravam, hoje assistimos a grandes deslocamentos no interior de todos os continentes, mas também a ęxodos intercontinentais que já alcançam cifras impressionantes. O Bem Aventurado Joăo Batista Scalabrini, o Venerável Máximo Rinaldi e os Servos de Deus José e Assunta Marchetti săo, portanto, estímulo e convite para todos assumirem de coraçăo este fenômeno planetário, que exige novas formas de intervençăo e de ajuda. Logo, é importante, produzir e divulgar tudo o que pode contribuir para torná‐los conhecidos e apreciados.

Invocando‐os cotidianamente e com amor filial, quem sabe com a récita individual ou comunitária da oraçăo própria a eles dirigida, certamente obteremos renovado entusiasmo e seremos atendidos nas graças, que, pela sua intercessăo, pediremos. Em tal perspectiva, enfim, sugerimos vivamente que cada comunidade institua pelo menos um especial tríduo de oraçăo anual, por ocasiăo do aniversário do nascimento ao céu, do Bem Aventurado Fundador, com modalidade e tempos considerados mais oportunos, em comunhăo com as respectivas Direçőes Gerais e com os Superiores Maiores da nossa Família Scalabriniana.

Roma, 21 de maio de 2009, festa da Ascensăo

P. Sérgio Olivo Geremia, cs
Ir. Alda Monica Malvessi, mscs
Adélia Firetti, mss

Fonte: www.scalabriniane.org

domingo, 31 de maio de 2009

Pentecostes, o batismo da Igreja



Pentecostes, antiga festa judaica na qual se recordava a Aliança de Deus com seu povo no monte Sinai (cf. Êxodo, 19). Converteu-se também em festa cristã precisamente pelo que sucedeu nessa ocasião, 50 dias depois da Páscoa de Jesus. Lemos nos Atos dos Apóstolos que os discípulos estavam reunidos em oração no Cenáculo quando sobre eles desceu com potência o Espírito Santo, como vento e fogo. Saíram então a anunciar em muitos idiomas a boa notícia da ressurreição de Cristo (Cf. 2, 1-4). Aquele foi o «batismo no Espírito Santo», que havia sido anunciado por João Batista: «Eu vos batizo em água para conversão, – dizia à multidão – mas aquele que vem após mim é mais forte que eu... Ele vos batizará no Espírito Santo e com fogo» (Mateus 3, 11).


Com efeito, toda a missão de Jesus esteve orientada a entregar aos homens o Espírito de Deus e a batizá-los em seu «lavatório» de regeneração. Isto se realizou com sua glorificação (Cf. João 7, 39), ou seja, mediante sua morte e ressurreição: então o Espírito de Deus foi difundido de maneira superabundante, como uma cascata capaz de purificar todo coração, de apagar o incêndio do mal e de acender no mundo o fogo do amor divino.




Os Atos dos Apóstolos apresentam Pentecostes como cumprimento desta promessa e, portanto, como coração de toda a missão de Jesus. Ele mesmo, após sua ressurreição, ordenou aos discípulos que permanecessem em Jerusalém, pois, como lhes disse, «sereis batizados no Espírito Santo dentro de poucos dias» (Atos 1, 5); e acrescentou: «Recebereis a força do Espírito Santo, que virá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria, e até os confins do mundo» (Atos 1, 8).

Pentecostes é, portanto, de maneira especial, o batismo da Igreja que empreende sua missão universal, começando pelas ruas de Jerusalém, com a prodigiosa pregação nos diferentes idiomas da humanidade. Neste batismo do Espírito são inseparáveis a dimensão pessoal e a comunitária, o «eu» do discípulo e o «nós» da Igreja. O Espírito consagra a pessoa e faz dela, ao mesmo tempo, membro vivo do Corpo místico de Cristo, partícipe da missão de testemunhar seu amor. E isto acontece mediante os sacramentos da iniciação cristã: o Batismo e a Confirmação.

Redescubramos, queridos irmãos e irmãs, a beleza de ser batizados no Espírito Santo; retomemos consciência de nosso Batismo e de nossa Confirmação, mananciais de graça sempre atual.

Peçamos à Virgem Maria que alcance também hoje para a Igreja um novo Pentecostes, que infunda em todos, em especial nos jovens, a alegria de viver e testemunhar o Evangelho.

Papa Bento XVI
Fonte: www.catequisar.com.br
Foto: Vigília de Pentecostes, 2009 - Crisma

Quem é o Espírito Santo?


Segundo o Catecismo da Igreja Católica, o Espírito Santo é a "Terceira Pessoa da Santíssima Trindade". Quer dizer, havendo um só Deus, existem nele três pessoas diferentes: Pai, Filho e Espírito Santo. Esta verdade foi revelada por Jesus em seu Evangelho.

O Espírito Santo coopera com o Pai e o Filho desde o começo da história até sua consumação, quando o Espírito se revela e nos é dado, quando é reconhecido e acolhido como pessoa. O Senhor Jesus no-lo apresenta e se refere a Ele não como uma potência impessoal, mas como uma Pessoa diferente, com seu próprio atuar e um caráter pessoal.

O Espírito Santo, o Dom de Deus

"Deus é Amor" (Jo 4,8-16) e o Amor que é o primeiro Dom, contém todos os demais. Este amor "Deus o derramou em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5).

Poste que morremos, ou ao menos, fomos feridos pelo pecado, o primeiro efeito do Dom do Amor é a remissão de nossos pecados. A Comunhão com o Espírito Santo, "A graça do Senhor Jesus Cristo, e a caridade de Deus, e a comunicação do Espírito Santo sejam todos vossos" (2Cor 13,13;) é a que, na Igreja, volta a dar ao batizados a semelhança divina perdida com o pecado.

Pelo Espírito Santo nós podemos dizer que "Jesus é o Senhor", quer dizer para entrar em contato com Cristo é necessário Ter sido atraído pelo Espírito Santo.

Mediante o Batismo nos é dado a graça do novo nascimento em Deus Pai por meio de seu Filho no Espírito Santo. Porque os que são portadores do Espírito de Deus são conduzidos ao Filho; mas o Filho os apresenta ao Pai, e o Pai lhes concede a incorruptibilidade. Portanto, sem o Espírito não é possível ver ao Filho de Deus, e sem o Filho, ninguém pode aproximar-se do Pai, porque o conhecimento do Pai é o Filho, e o conhecimento do Filho de Deus se alcança pelo Espírito Santo.

Vida e Fé. O Espírito Santo com sua graça é o "primeiro" que nos desperta na fé e nos inicia na vida nova. Ele é quem nos precede e desperta em nós a fé. Entretanto, é o "último" na revelação das pessoas da Santíssima Trindade.

O Espírito Santo coopera com o Pai e o Filho desde o começo do Desígnio de nossa salvação e até sua consumação. Somente nos "últimos tempos", inaugurados com a Encarnação redentora do Filho, é quando o Espírito se revela e nos é dado, e é reconhecido e acolhido como Pessoa.

O Paráclito. Palavra do grego "parakletos", o mediador, o defensor, o consolador. Jesus nos apresenta ao Espírito Santo dizendo: "O Pai vos dará outro Paráclito" (Jo 14,16). O advogado defensor é aquele que, pondo-se de parte dos que são culpáveis devido a seus pecados os defende do castigo merecido, os salva do perigo de perder a vida e a salvação eterna. Isto é o que Cristo realizou, e o Espírito Santo é chamado "outro paráclito" porque continua fazendo operante a redenção com a que Cristo nos livrou do pecado e da morte eterna.

Espírito da Verdade: Jesus afirma de si mesmo: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6). E ao prometer o Espírito Santo naquele "discurso de despedida" com seus apóstolos na Última Ceia, diz que será quem depois de sua partida, manterá entre os discípulos a mesma verdade que Ele anunciou e revelou.

O Paráclito, é a verdade, como o é Cristo. Os campos de ação em que atua o Espírito Santo são o espírito humano e a história do mundo. A distinção entre a verdade e o erro é o primeiro momento de tal atuação.

Permanecer e atuar na verdade é o problema essencial para os Apóstolos e para os discípulos de Cristo, desde os primeiros anos da Igreja até o final dos tempos, e é o Espírito Santo quem torna possível que a verdade sobre Deus, o homem e seu destino, chegue até nossos dias sem alterações.

Fonte: www.catequisar.com.br - Quem é o Espírito Santo

domingo, 10 de maio de 2009

Retrato de mãe



Uma simples mulher existe que,
pela imensidão do seu amor,
tem um pouco de Deus,
e pela constância de sua dedicação
tem um pouco de anjo;
que, sendo moça, pensa como uma anciã
e, sendo velha,
age com todas as forças da juventude;
quando ignorante,
melhor que qualquer sábio
desvenda os segredos da natureza,
e, quando sábia,
assume a simplicidade das crianças.

Pobre, sabe enriquecer se com a felicidade dos
que ama e, rica, empobrecer se para que seu
coração não sangre, ferido pelos ingratos.

Forte, entretanto, estremece ao choro duma
criancinha, e fraca, não se altera
com a bravura dos leões.

Viva, não sabemos lhe dar o valor
porque à sua sombra todas as dores se apagam.

Morta, tudo o que somos e tudo que temos
daríamos para vê la de novo,
e receber um aperto de seus braços
e uma palavra de seus lábios.

Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher,
se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum:
porque eu a vi passar no meu caminho.

Quando crecerem seus filhos,
leiam para eles esta página.
Eles lhe cobrirão de beijos a fronte,
e dirão que um pobre viandante,
em troca de suntuosa hospedagem recebida,
aqui deixou para todos o retrato de sua própria MÃE.

Autor: D. Ramon Angel Jara

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A Equipe do Boletim De Mãos Dadas deseja que todas as mães sejam exemplos de luz e amor no mundo. Que possam sempre espelhar-se no exemplo de Nossa Senhora.
Feliz Dia das Mães!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor


O Domingo, primeiro dia da semana, é o começo e a origem do Ano Litúrgico. O ponto de partida dessa compreensão teológico-litúrgica é a experiência do Ressuscitado no primeiro dia da semana. O impacto vivido pelas discípulas e discípulos do Senhor, no terceiro dia após a morte dele é o que vai dar a tônica da Vigília Pascal e do tempo pascal.

Jesus, cujo corpo julgavam estar no cemitério, no túmulo, morto, apodrecendo, aparece agora no meio dos (as) discípulos e discípulas (as), conversa, caminha com eles (as)... Imaginemos a cena e o impacto que esse fato deve ter causado naquele momento. Segundo as Escrituras, tudo isso aconteceu no primeiro dia da semana, no Domingo.

O impacto desse fato foi tão grande que os cristãos recordam aquele dia inesquecível, memorável, o grande dia. De fato, toda semana, quando chegava o Domingo, eles lembravam: foi hoje que ele apareceu, depois da morte, aos seus. Neste dia Deus revelou definitivamente a sua salvação em favor de todos os homens.

O Domingo é o dia da vitória. Dia que, para os judeus era o primeiro dia da semana. De fato, a semana judaica iniciava com esse dia. Para os cristãos, o Domingo passou a ser, também, o dia mais importante da semana. O Motivo para essa importância está no fato do impacto provocado pela Ressurreição do Senhor. A partir dessa realidade nova, os cristãos deram uma nova denominação para esse dia, isto é, deixaram de chamar de primeiro dia da semana e começaram a chamar, a partir daquele momento, de Dia do Senhor. Em grego, kiriaké hemera. Em Latim, dies domenica. Em italiano, domenica. Em espanhol e português, Domingo. Em francês, le dimanche. O Domingo significa, portanto, Dia do Senhor.

Domingo é a origem do Ano Litúrgico. O papa João Paulo II publicou (31/05/1998) uma Carta Apostólica sobre a santificação do Domingo. Essa carta chama-se Dies Domini (Dia do Senhor). Hoje, podemos encontrar uma vasta literatura teológico-litúrgica sobre o Domingo
.1

A estrutura da celebração do Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor é mesma de todos os domingos, com o Glória, seqüência de Páscoa após a segunda leitura, creio e prefácio próprio.

Pe. Nivaldo Feliciano Silva, cs


Imagens:
http://www.qdivertido.com.br/festa-pascoa-jesus.jpg
http://farm3.static.flickr.com/2382/2519485442_a6404b4105.jpg
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1- Vejam, por exemplo: Matias AUGÉ, Domingo, festa primordial dos cristãos. São Paulo: Ave-Maria, 1995; Vicent, RYAN. O Domingo, história, espiritualidade, celebração. São Paulo: Paulus, 1997; José Ariovaldo da SILVA. O Domingo, páscoa semanal dos cristãos. São Paulo: Paulus, 1998; Ione, BUYST. Celebração do Domingo: ao redor da Palavra de Deus. Petrópolis: Vozes, 1999; Xabier, BASURKO. Para viver o Domingo. São Paulo: Paulinas, 1999.

Preparando a Celebração da Páscoa V - Sábado Santo


O Sábado Santo e a Vigília Pascal

O Sábado Santo é um dia para ser vivido numa profunda atitude de silêncio, dia de retiro. Neste dia, Cristo desceu à mansão dos mortos para assumir o destino da humanidade. Assim, fez-se solidário conosco até o fim. Ele desceu à região dos mortos para sair de lá vitorioso e a abrir um caminho de esperança para todos nós. O Sábado Santo é também um dia de jejum eucarístico, na espera ressurreição do Senhor. Neste dia não se celebra a eucaristia, e a comunhão só pode ser dada como viático, ou seja, àqueles que estão enfermos e impossibilitados de sair de casa ou em perigo de morte.

A Vigília Pascal deve ocupar o ponto central Ano Litúrgico, isto é, a celebração mais importante na vida do povo cristão. A celebração da vigília pascal foi sendo organizada, aos poucos, por meio de uma vigília noturna realizada do sábado para o domingo. Os cristãos reuniam-se para a celebração e passavam toda a noite lendo as escrituras e a história da salvação à luz do mistério pascal, ou seja, liam os textos referentes à criação, o evento do êxodo, a vida de Abraão, os livros dos profetas (Isaías, Ezequiel...). Dentre os textos lidos, não podia faltar a leitura de Ex 14, que narra a saída do Egito. Durante a Vigília, os cristãos passavam a noite inteira lendo as escrituras, cantando os salmos e fazendo orações e preces.

A Vigília Pascal é a festa em que os cristãos fazem vigília para esperar a luz. O círio pascal é essa luz, símbolo do Cristo ressuscitado que venceu as trevas com sua luz admirável. A Vigília Pascal é a festa batismal. Ou seja, é o momento da incorporação de novos membros ao Corpo de Cristo e de renovação das promessas batismais daqueles que foram batizados para participar do mistério pascal de Cristo. A Vigília Pascal é, sobretudo, festa eucarística. Por isso, cheios de alegria, agradecemos ao Pai que ressuscitou seu Filho, Jesus Cristo, e nos fez participar de sua vitória sobre a morte. Na Vigília Pascal comemos juntos o pão da imortalidade e bebemos o vinho da festa do Reino, na certeza de que um dia será plena para todos.

A celebração da Vigília desenvolve-se ao redor de quatro símbolos que falam, cada um a seu modo, da passagem da morte para a vida: o fogo – luz que vencem as trevas; o livro do qual lemos as narrativas das intervenções de Deus na história do povo de Israel para libertá-lo; a água pela qual fomos salvos; o pão e o vinho repartidos em ação de graças, como sinais da entrega de Jesus ao Pai e da vida nova que veio da ressurreição do Senhor.




Ao redor destes símbolos foram construídos quatro momentos da celebração da noite da Vigília Pascal:

a) Liturgia da Luz: acendimento da fogueira e bênção do fogo, preparação e acendimento do círio com o fogo novo, procissão com o círio para dentro da igreja, acompanhado de incenso aceso, incensação do livro e do círio e proclamação da Páscoa;

b) Liturgia da Palavra: proclamação das sete leituras do Antigo Testamento, cada uma seguida por um salmo responsorial ou cântico bíblico e oração. As leituras são:
• Gn 1,1-2,2: a criação do mundo e do homem;
• Gn 22,1-18 ou 22,1-2.9ª10-13.15-18: O Sacrifício de Abraão, nosso Pai na fé;
• Ex 154,15-15,1: Passagem do Mar Vermelho;
• Is 54,5-14: A Nova Jerusalém caminha para o esplendor da luz do Senhor;
• Is 55,1-11: A salvação é oferecida gratuitamente a todos os povos;
• Br 3,9-15.32-4,4: Fonte de vida e sabedoria;
• Ez 36,16-17ª18-28: Um coração novo e um Espírito novo;

Segue-se:
• Hino de louvor;
• Oração;
• Epístola – Rm 6,3-11: Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais;
• Aclamação ao Evangelho: Canto do Aleluia
• Evangelho – Ano A: Mt 28,1-10; Ano B: Mc 16,1-7; Ano C: Lc 24,1-12.

c) Liturgia batismal
• Exortação;
• Bênção da água: o ritual da Semana Santa prevê três possibilidades à escolha: 1) Onde houver batismo: apresentação dos candidatos, exortação, ladainha; oração sobre a água; renúncia, profissão de fé, batismo; renovação das promessas do batismo de toda a assembléia; aspersão do povo com água batismal; oração dos fiéis; 2) Onde não houver batismo, mas só a bênção da água batismal: exortação, ladainha; oração sobre a água; renovação das promessas do batismo de toda a assembléia; aspersão do povo com água batismal; oração dos fiéis; 3) Onde não houver batismo nem bênção de água batismal, mas a bênção de água para a aspersão do povo: bênção da água; renovação das promessas do batismo; aspersão do povo com água benta; oração dos fiéis.

d) Liturgia Eucarística, momento culminante da celebração
• Preparação das oferendas;
• Oração eucarística (com prefácio próprio);
• Ritos de comunhão

É bom lembrar que “toda a vigília seja celebrada durante a noite, de modo que não comece antes do anoitecer e sempre termine antes da aurora do Domingo”. Essa disposição é um convite para que se respeite a profundidade teológica do simbolismo a passagem das trevas para a luz.


Pe. Nivaldo Feliciano Silva, cs



Imagens:
http://lacosazuis.blogs.sapo.pt/arquivo/2006_04.html
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