Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS
Nas últimas décadas, um sopro do espírito varre a Igreja, seja do lado protestante seja do lado católico. Quando sopra o vento, nada e ninguém podem detê-lo. Ao mesmo tempo, ninguém pode-lhe permanecer neutro, indiferente. Vêem daí os prós e contras frente ao crescimento dos movimentos carismáticos ou pentecostais, tanto no catolicismo como no protestantismo.
Uns os batizam de espiritualismo intimista e privativo, estéril e ineficaz. Outros neles encontram a razão de ser para sua trajetória cristã, com a certeza de que, finalmente, puderam encontrar o caminho. Uns e outros reconhecem sua emergência e sua repercussão. Mas, enquanto para os primeiros tais movimentos tendem a evitar todo e qualquer compromisso social, para os segundos refletem uma experiência profunda de encontro com Cristo.
Onde está a verdade? Seria muita pretensão procurar separar o joio do trigo, para ficar na linguagem evangélica. Nesses embates, as linhas continuam indefinidas, os contornos não são precisos. Graças a Deus, a vida é muito mais dinâmica e imprevisível do que nossos esquemas mentais e gramaticais. O bem o e mal, o certo e o errado, tudo é muito misturado, diria Guimarães Rosa (Grande Sertão Veredas).
Apesar desse alerta, vale a pena tentar um olhar mais objetivo sobre esse sopro do espírito. De início, temos de reconhecer que estamos diante de uma realidade carregada de ambiguidades, mesmo porque pisamos um terreno sagrado. Neste, tudo se reveste de mistério, diante do qual não raro ficamos sem palavras! Diante da experiência e das expressões da fé, há limites claros para a razão humana.
Cientes do solo ambíguo em que avançamos, a primeira coisa que chama a atenção dos movimentos carismáticos é a mistura de riscos e potencialidades. Uns e outras se confundem, se mesclam e se entrelaçam. Ente os riscos, não é difícil surpreender uma leitura equivocada da realidade social e histórica. Como se esta fosse impulsionada por um determinismo secreto, onde a ação humana não tem qualquer possibilidade de mudança.
Sendo assim, e sendo essa realidade marcada pelas contradições em nível sociológico, e pelo pecado em nível teológico ou moral, o mais sensato não é tentar transformá-la, e sim fugir dela. Na impossibilidade de mudar os destinos do mundo e da humanidade, o melhor é escapar para outra dimensão. Resulta que, em não poucos casos, o pentecostalismo protestante ou católico se converte numa espécie de barquinho de salvação diante da sociedade imutável. O mundo está perdido, mergulhado no pecado, mas eu encontrei Jesus! O barquinho procura equilibrar-se no mar tempestuoso, muitas vezes ignorando as angústias de quem está sendo devorado pelas ondas gigantes da fome e da miséria, da injustiça e das desigualdades sociais, da violência e da discórdia. Mares bravios afogam pecadores e inocentes, mas os barquinhos seguem protegidos pelas bênçãos de Jesus.
Nu fundo inconsciente dessa leitura míope dos fatos históricos, esconde-se uma dicotomia que divide o mundo dos salvos, os que encontraram Jesus, e os perdidos que se recusam a tal encontro. Permanecendo na cegueira, sua condenação será inevitável. O estudo superficial da realidade conduz a uma prática marcada por ações paliativas, assistenciais, ou puramente religiosas. Não falta a sensibilidade e a caridade para com os menos favorecidos; falta o conceito de protagonismo dos pobres. O falso diagnóstico falsifica igualmente o remédio.
Passemos às potencialidades, as quais, repetimos, misturam-se inextrincavelmente aos riscos. Salta à vista, antes de tudo, o retorno da alegria à vivência cristã. É possível ser cristão, alegre e feliz! Esse aspecto reveste de vida nova a liturgia, a prática e todas as demais expressões religiosas. Revela um ingrediente muito comum na cultura latino-americana, em geral, e brasileira, em particular. Tempera o vinho novo de novas manifestações. Com isso, aprendemos que não é só a mente ou a inteligência que se comunica com Deus. Todo o corpo reza, celebra e festeja! Rompe-se com um racionalismo frio e calculista, às vezes demasiadamente politizado, que impregnava a prática cristã de cunho mais profético. Dá-se importância ao gesto, à imagem, ao canto, ao simbolismo, enfim, a uma linguagem coreograficamente mais vívida e rica. As atividades religiosas ganham em vigor e alegria. A festa entra na Igreja. Às vezes em detrimento da profecia, é bem verdade, mas não podemos deixar de reconhecer esse lado expansivo que, por outro lado, faz-se presente em grande parte das expressões religiosas negras e indígenas, berço comum de nossa cultura miscigenada.
Além disso, não dá para negar a experiência religiosa de inúmeras pessoas que insistem ter encontrado Jesus e, de fato, mudaram o rumo de suas vidas. Não poucas superaram vícios e consertaram desavenças inconciliáveis. O que há por trás disso? Independentemente do que fazem os dirigentes religiosos diante de tais testemunhos, permanece inegável uma experiência profunda, verdadeira, por vezes indecifrável para os próprios sujeitos que a vivenciaram. Impossível tanta gente se enganar por tanto tempo. Impossível estar diante de uma mentira colossal e coletiva!
Não há o que duvidar: um sopro do espírito modificou suas existências. Há manipulação, há exploração do sagrado, há mercantilização da fé. Há exageros de curas e de falar em línguas! Nada disso, porém, elimina os que os fiéis chamam de encontro com Jesus e mudança de vida.
Como todo sopro do espírito, também esse incomoda e interpela a instituição. Causa um clima de estranheza e rivalidade entre as igrejas estabelecidas e as estruturas voláteis dos movimentos autônomos ou carismáticos. Estes costumam caminhar acima ou paralelamente ao plano diocesano, o qual, por sua vez, nem sempre lhe abre as portas ou lhe dá espaço. Mas convém não esquecer que o espírito sopra onde quer (Jo, 3, 8), a irrupção de Deus na história é imprevisível e não respeita fronteiras. Nenhuma Igreja pode represar as forças do vento nem manter o monopólio da manifestação do espírito divino.
Sobram dois desafios. Por um lado, reconhecer e respeitar o sopro do espírito, em que muita gente se sente reconciliada com a própria fé e com a própria vida; por outro, saber discernir o que é espetáculo, show ou manipulação, do que é obra de Deus. E aprender com Gamaliel que não se pode mover guerra contra Deus (At 5, 34-39).
Boletim Informativo da Paróquia Nossa Senhora das Graças - Vicente de Carvalho - Guarujá - SP
terça-feira, 26 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Vida nas ruas é realidade para 13.666 em São Paulo
Na cidade de São Paulo, o Censo da População de Rua referente ao ano de 2009, indicou que 6.587 pessoas moram integralmente nas ruas, principalmente nas regiões centrais da cidade. Quase metade dessa população não consegue atendimento na única política pública da prefeitura municipal para a questão: pouco mais de 7 mil vagas distribuídas em hotéis, repúblicas sociais, instituições conveniadas e albergues, para 13.666 pessoas em situação de rua da cidade.
Conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe), pelo menos 1842 crianças e adolescentes vivem nas ruas da cidade. Em média, já estão nas ruas há três anos, a maioria entre 12 a 17 anos. 15% das crianças têm menos de seis anos.
Para a socióloga Maria Antonieta da Costa Vieira, apesar da situação caótica, a indiferença reina na cidade.
"Não é problema das ruas, é um problema da sociedade. Só que para determinados segmentos sociais – de baixa renda, com uma situação de desestruturação familiar – a rua passa a ser uma saída. A visão da sociedade é extremamente preconceituosa. As soluções apontadas são soluções higienistas, de ‘limpa, tira, coloca em uma instituição’.”
Maria Antonieta da Costa Vieira e a economista Silvia Maria Schor são pesquisadoras da Fipe e participaram da coordenação do Censo de moradores de rua. No processo de pesquisa, observaram que não basta ter trabalho para manter o ser humano longe da penosa vida das ruas. Para Silvia Maria, a falta de proteção da família e o uso de drogas podem influenciar na mesma medida.
“Você não sabe se a pessoa perdeu o emprego porque começou a beber ou começou a beber porque perdeu o emprego. Ou se a pessoa começou a se dar mal no trabalho porque a situação na família já estava difícil. Muito provável é um processo interativo e as mudanças vão acontecendo juntas.”
De acordo com o Censo, a idade média dos que estão na rua é de 40 anos. Cerca de 65% é parda e negra e 93% sabe ler e escrever. 70% são oriundos do estado de São Paulo, de outros estados do Brasil, e até mesmo do exterior. O restante são moradores da própria cidade.
Morar na rua tem um custo mínimo para a manutenção da vida: comida, remédios, cigarros. Segundo as pesquisadoras, poucos são os que vivem somente de esmolas. Ainda de acordo com Silvia Maria Schor, quase 70%, trabalha catando latinha, desabastecimento de caixas no Ceasa, fazendo bico de segurança. Em media, ganham R$ 19 por dia, renda insuficiente para sair das ruas.
“A degradação física vai progredindo e cada vez menos os moradores de rua têm chances de ocupação ou mais regular ou menos informal. Um jovem que fica na rua por muito tempo, para se reintegrar na sociedade novamente, fica muito difícil. As pessoas perdem a noção de tempo cronológico. Não sabem o dia da semana ou quanto tempo estão na rua. O futuro pra eles é o que estão vivendo naquele momento.”
Violência e droga
De acordo com o coordenador da Rede Rua, Alderón Pereira, a organização recebe frequentemente denúncias de violência cometidas contra os moradores de rua. A maior parte da violência é cometida por integrantes da Polícia Militar e agentes de segurança.
“A população de rua sofre muita violência. Nós sabemos de casos que a Polícia bateu e quebrou a perna de fulano, que atirou. Os jatos de água são bem comuns. Tem uma política da prefeitura de higienização, de limpeza da cidade, de esconder essa realidade.”
45% dos moradores de rua entrevistados já se meterem em briga com espancamento e luta corporal. 27% já foi roubado. 14% já recebeu facada, tiro ou paulada. A experiência com crack é maior entre jovens de 18 a 30 anos de idade. Droga e violência são condições impostas para enfrentar a difícil vida nas ruas.
Resposta do governo é pífia
Segundo Silvia, a situação de São Paulo não é muito diferente das principais capitais mundiais, como Nova Iorque (EUA), Tóquio (Japão) e Paris (França). Na Europa, até mesmo um observatório foi criado para monitorar o aumento da população nas ruas do continente. A crise econômica mundial agravou ainda mais a situação pelo mundo, e também em São Paulo, com parte da população jogada no desemprego.
De acordo com Alderón, a escassez de vagas em albergues dificulta ainda mais a vida de quem procura por esse serviço. Para pernoitar as frias madrugadas da capital paulista, uma pessoa pode passar até uma hora na fila e não encontrar vagas.
“A lei da população de rua da cidade de São Paulo estabelece que no máximo deveriam ter cem pessoas por abrigo. Hoje nós temos abrigos com 1.2 mil pessoas, outros com 250, 150. A realidade da lei ainda está longe de ser atingida.”
Segundo Alderon, apesar de ter melhorado a qualidade dos equipamentos e condições, os albergues continuam sendo serviços terceirizados pela prefeitura, que firma convênios com instituições sociais.
“A política de moradia tem que estar ligada à política de saúde, habitação. O que funciona em São Paulo é a assistência social, ou seja, a política de emergência social.”
Para Maria Antonieta, morador de rua não é apenas um problema da assistência social.
“O morador de rua tem problema de saúde, de trabalho, de habitação, ou seja, é necessária uma abordagem intersecretarial que possa atacar esse problema. Não é só arranjando um albergue.”
Sem propostas do governo pela frente, a vida deve continuar difícil nas ruas de São Paulo. A violência continuará e pode aumentar com o crescimento do repúdio dos demais moradores da cidade. Um novo projeto de ouvidoria comunitária que funciona no Brás, todas as quintas-feiras, pretende sistematizar e mapear as denúncias de violência contra essa população. Os dados devem dar a noção da gravidade e da quantidade de violação dos direitos dessa população.
De São Paulo, da Radioagência NP, Aline Scarso.
Enviado por Pe. Paulo Caovila por email
Conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe), pelo menos 1842 crianças e adolescentes vivem nas ruas da cidade. Em média, já estão nas ruas há três anos, a maioria entre 12 a 17 anos. 15% das crianças têm menos de seis anos.
Para a socióloga Maria Antonieta da Costa Vieira, apesar da situação caótica, a indiferença reina na cidade.
"Não é problema das ruas, é um problema da sociedade. Só que para determinados segmentos sociais – de baixa renda, com uma situação de desestruturação familiar – a rua passa a ser uma saída. A visão da sociedade é extremamente preconceituosa. As soluções apontadas são soluções higienistas, de ‘limpa, tira, coloca em uma instituição’.”
Maria Antonieta da Costa Vieira e a economista Silvia Maria Schor são pesquisadoras da Fipe e participaram da coordenação do Censo de moradores de rua. No processo de pesquisa, observaram que não basta ter trabalho para manter o ser humano longe da penosa vida das ruas. Para Silvia Maria, a falta de proteção da família e o uso de drogas podem influenciar na mesma medida.
“Você não sabe se a pessoa perdeu o emprego porque começou a beber ou começou a beber porque perdeu o emprego. Ou se a pessoa começou a se dar mal no trabalho porque a situação na família já estava difícil. Muito provável é um processo interativo e as mudanças vão acontecendo juntas.”
De acordo com o Censo, a idade média dos que estão na rua é de 40 anos. Cerca de 65% é parda e negra e 93% sabe ler e escrever. 70% são oriundos do estado de São Paulo, de outros estados do Brasil, e até mesmo do exterior. O restante são moradores da própria cidade.
Morar na rua tem um custo mínimo para a manutenção da vida: comida, remédios, cigarros. Segundo as pesquisadoras, poucos são os que vivem somente de esmolas. Ainda de acordo com Silvia Maria Schor, quase 70%, trabalha catando latinha, desabastecimento de caixas no Ceasa, fazendo bico de segurança. Em media, ganham R$ 19 por dia, renda insuficiente para sair das ruas.
“A degradação física vai progredindo e cada vez menos os moradores de rua têm chances de ocupação ou mais regular ou menos informal. Um jovem que fica na rua por muito tempo, para se reintegrar na sociedade novamente, fica muito difícil. As pessoas perdem a noção de tempo cronológico. Não sabem o dia da semana ou quanto tempo estão na rua. O futuro pra eles é o que estão vivendo naquele momento.”
Violência e droga
De acordo com o coordenador da Rede Rua, Alderón Pereira, a organização recebe frequentemente denúncias de violência cometidas contra os moradores de rua. A maior parte da violência é cometida por integrantes da Polícia Militar e agentes de segurança.
“A população de rua sofre muita violência. Nós sabemos de casos que a Polícia bateu e quebrou a perna de fulano, que atirou. Os jatos de água são bem comuns. Tem uma política da prefeitura de higienização, de limpeza da cidade, de esconder essa realidade.”
45% dos moradores de rua entrevistados já se meterem em briga com espancamento e luta corporal. 27% já foi roubado. 14% já recebeu facada, tiro ou paulada. A experiência com crack é maior entre jovens de 18 a 30 anos de idade. Droga e violência são condições impostas para enfrentar a difícil vida nas ruas.
Resposta do governo é pífia
Segundo Silvia, a situação de São Paulo não é muito diferente das principais capitais mundiais, como Nova Iorque (EUA), Tóquio (Japão) e Paris (França). Na Europa, até mesmo um observatório foi criado para monitorar o aumento da população nas ruas do continente. A crise econômica mundial agravou ainda mais a situação pelo mundo, e também em São Paulo, com parte da população jogada no desemprego.
De acordo com Alderón, a escassez de vagas em albergues dificulta ainda mais a vida de quem procura por esse serviço. Para pernoitar as frias madrugadas da capital paulista, uma pessoa pode passar até uma hora na fila e não encontrar vagas.
“A lei da população de rua da cidade de São Paulo estabelece que no máximo deveriam ter cem pessoas por abrigo. Hoje nós temos abrigos com 1.2 mil pessoas, outros com 250, 150. A realidade da lei ainda está longe de ser atingida.”
Segundo Alderon, apesar de ter melhorado a qualidade dos equipamentos e condições, os albergues continuam sendo serviços terceirizados pela prefeitura, que firma convênios com instituições sociais.
“A política de moradia tem que estar ligada à política de saúde, habitação. O que funciona em São Paulo é a assistência social, ou seja, a política de emergência social.”
Para Maria Antonieta, morador de rua não é apenas um problema da assistência social.
“O morador de rua tem problema de saúde, de trabalho, de habitação, ou seja, é necessária uma abordagem intersecretarial que possa atacar esse problema. Não é só arranjando um albergue.”
Sem propostas do governo pela frente, a vida deve continuar difícil nas ruas de São Paulo. A violência continuará e pode aumentar com o crescimento do repúdio dos demais moradores da cidade. Um novo projeto de ouvidoria comunitária que funciona no Brás, todas as quintas-feiras, pretende sistematizar e mapear as denúncias de violência contra essa população. Os dados devem dar a noção da gravidade e da quantidade de violação dos direitos dessa população.
De São Paulo, da Radioagência NP, Aline Scarso.
Enviado por Pe. Paulo Caovila por email
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Blog Action Day: Water
Eu comecei a ler a respeito da água para participar ativamente do Blog Action Day nesta sexta-feira dia 15 de outubro de 2010.
Junte-se aos blogs do mundo inteiro nesta corrente por água limpa.
Os números são alarmantes, os ricos textos são assustadores e a realidade realmente muito triste, os textos em português não são tçao completos quanto alguns que consegui localizar e que fundamentaram minha pesquisa. Vou tentar em algumas linhas chamar a atenção de todos sobre essa questão tão atual e que ao mesmo tempo passa tão despercebida por todos.
Neste momento, mais ou menos um bihão de pessoas no planeta não tem acesso a água limpa e segura para beber, é o equivalente a um a cada oito de nós.
1- Água suja e a falta de saneamento básico matam mais pessoas por ano do que todas as formas de violência, incluindo guerras, além disso podem esconder diversas doenças e bactérias como por exemplo E. coli, salmonella, cholera e hepatitis.
2- Mais pessoas tem acesso ao telefone celular do que a sanitários. Hoje, 2,5 bilhões de pessoas não possuem saneamento básico, isto é o esgoto é lançado ao mar, contaminando a água potável e causando doenças.
3- Todos os dias mulheres e crianças chegam a andar longas distâncias para buscar água, na África(também no Brasil) carregando baldes pesados de água, nem sempre limpas e próprias para o consumo. Além disso, essas pessoas sacrificam a qualidade de vida, como por exemplo, crianças na escola.
4- É necessário 6.3 galões de água para produzir um ÚNICO hambúrguer. Isso quer dizer que são gastos 184 bilhões de galões de água nos Estados Unidos caso fosse fabricado uma unidade para cada pessoa que lá reside.
5- A ONU declarou que a água é um direito Humano. O que estamos fazendo para garantir o acesso a ela?
6- EUA, México e China lideraram o mundo no consumo de água engarrafada, uma média de 200 garrafas de água por pessoa ao ano. Mais de 17 milhões de barris de petróleo são necessários para fabricar as garrafas de água, 86 por cento dos quais nunca serão reciclados
Fontes:
Why Water ( Por que a água?)
Water. org( água)
Blog Action Day
Blog Action Day 2010: Water from Blog Action Day on Vimeo.
Junte-se aos blogs do mundo inteiro nesta corrente por água limpa.
Os números são alarmantes, os ricos textos são assustadores e a realidade realmente muito triste, os textos em português não são tçao completos quanto alguns que consegui localizar e que fundamentaram minha pesquisa. Vou tentar em algumas linhas chamar a atenção de todos sobre essa questão tão atual e que ao mesmo tempo passa tão despercebida por todos.
Neste momento, mais ou menos um bihão de pessoas no planeta não tem acesso a água limpa e segura para beber, é o equivalente a um a cada oito de nós.
1- Água suja e a falta de saneamento básico matam mais pessoas por ano do que todas as formas de violência, incluindo guerras, além disso podem esconder diversas doenças e bactérias como por exemplo E. coli, salmonella, cholera e hepatitis.2- Mais pessoas tem acesso ao telefone celular do que a sanitários. Hoje, 2,5 bilhões de pessoas não possuem saneamento básico, isto é o esgoto é lançado ao mar, contaminando a água potável e causando doenças.
3- Todos os dias mulheres e crianças chegam a andar longas distâncias para buscar água, na África(também no Brasil) carregando baldes pesados de água, nem sempre limpas e próprias para o consumo. Além disso, essas pessoas sacrificam a qualidade de vida, como por exemplo, crianças na escola.
4- É necessário 6.3 galões de água para produzir um ÚNICO hambúrguer. Isso quer dizer que são gastos 184 bilhões de galões de água nos Estados Unidos caso fosse fabricado uma unidade para cada pessoa que lá reside.
5- A ONU declarou que a água é um direito Humano. O que estamos fazendo para garantir o acesso a ela?
6- EUA, México e China lideraram o mundo no consumo de água engarrafada, uma média de 200 garrafas de água por pessoa ao ano. Mais de 17 milhões de barris de petróleo são necessários para fabricar as garrafas de água, 86 por cento dos quais nunca serão reciclados
Fontes:
Why Water ( Por que a água?)
Water. org( água)
Blog Action Day
Blog Action Day 2010: Water from Blog Action Day on Vimeo.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
O JARDINEIRO
Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS
Sempre tive uma vontade oculta de ser jardineiro: mexer com a terra, afundar os pés e as mãos em suas entranhas, sentir-lhe o calor e o frio, inebriar-me de seus cheiros, seguir as estações do ano, contemplar o sol e a chuva, lançar a semente e esperar a lenta maturação da vida... Mas especialmente cultivar flores. Quem sabe, um dia, ser uma entre elas!
Mas a profissão de jardineiro tem suas armadilhas. Sem dúvida, é gratificante ver as plantas se erguerem do solo, produzir botões e estes se abrirem em pétalas de diferentes cores e tonalidades. Em pouco tempo, porém, elas murcham, secam, desaparecem. Com a mesma voluptuosidade com que buscam o céu azul, a luz e o ar livre, também se curvam encarquilhadas sobre o chão, morrem e caem no esquecimento. Menos mal que deixam na terra suas sementes e que estas, em potencial, contêm novas flores. Cedo ou tarde, haverão de romper a superfície da terra e se reerguer para a vida.
Outra armadilha é que, após preparar o solo, lançar a semente, e zelar diariamente pela sua gestação, o jardineiro pode surpreender-se com alguma flor que nasce fora do jardim cultivado. Tanto carinho e cuidado, para ver o broto ressurgir em meio ao mato e aos espinhos, ou entre as pedras do caminho. Flores são seres rebeldes, crescem não raro onde menos se espera, longe de nosso alcance. Às vezes são mais vivas e vigorosas onde a terra é mais agreste.
Ninguém como o jardineiro se dá conta de como a flor é bela e frágil. Ou melhor, bela porque frágil. Oferece seu brilho intenso e colorido, mas sempre provisório. Tão forte quanto fugaz, talvez porque possui uma estranha consciência orgânica de que sua passagem pela vida é breve. Logo terá de desaparecer! O mesmo ocorre com o perfume. A flor exala-o com tanta intensidade que chega a embriagar o viajante que passa. Mas fenece junto com ela. Também neste caso é verdade que, apesar de resistir mal à tormenta, a beleza e o perfume da flor jamais se apagam da memória de quem os experimentou.
Mas o cultivador de flores conhece outros segredos. Sabe que cada uma delas é única, incomparável e insubstituível. Inútil perguntar qual a mais bonita, a mais sedutora a mais cheirosa. Todas o são, embora distintas. Ou melhor, todas são belas justamente porque distintas! É a diversidade de formas e aromas, cores e tons que torna encantado o jardim.
O senhor do jardim sabe, ainda, que cultivar flores não é tomar posse delas. Se tentar fazê-lo, mata-as, perdendo-as para sempre. De resto, essa relação com as flores reproduz-se na relação com outros seres vivos, plantas ou animais, como também na relação entre as pessoas. Cultivar implica não em dominar e possuir, mas deixá-las livres. Livres para que outros possam desfrutar de seu conhecimento e riqueza. A posse é a negação do amor.
O jardineiro é diferente do colecionador. De fato, O cultivador de carros de luxo, de pérolas preciosas, de contas bancárias, de objetos exóticos, como também o cultivador de mágoas ou ressentimentos, de ódio ou vingança, torna-se escravo daquilo que cultiva. Constrói sua própria prisão. “Onde está teu tesouro, aí está teu coração”, diz o sábio Jesus. Ao contrário do colecionador, o jardineiro aprende que somente há de colher as flores que cultiva com o toque mágico de suas mãos, rudes e ternas a um só tempo. Mas ele as colhe com o olhar, com o deslumbramento da alma. Prendê-las é condená-las à morte.
E assim, livre e bela, a flor pode entregar-se gratuitamente a todos que visitam o jardim. Seu brilho fala de Deus quando guarda as gotas do orvalho noturno ou abre suas pétalas à luz matutina, quando dança ao ritmo da brisa suave ou oferece seu néctar ao beija-flor, o qual, a seu turno, transportará o pólen para fecundar outras flores, alimentando assim o ciclo interminável da vida.
Unida ao sorriso da criança, ao murmúrio ou ao rugido da água, ao canto do pássaro, à luz longínqua da estrela, ao sol que chega ou que parte, ao olhar de quem ama ou à lágrima de quem ainda é capaz de chorar, aos corações sedentos de justiça ou às mãos que combatem pelos direitos humanos – a flor integra a grande orquestra da criação. Instrumentos distintos, que tocam notas diferentes, mas exprimem a beleza de uma sinfonia comum.
Cultivar flores é cultivar relações novas, livres, autênticas, transparentes. Relação consigo mesmo, com o outro e com os outros, com a história de um povo, com o meio ambiente, com o Transcendente. Essas dimensões, embora distintas, não constituem instâncias cerradas uma à outra. Ao contrário, todas se entrelaçam inextricavelmente. Todas se interpelam e se integram, se enriquecem e se complementam. O cultivo de uma repercute no crescimento das demais, o descuido de uma significa o esvaziamento de todo o ser.
Como ponto final, vale sublinhar, uma vez mais, a lição da flor: porque é bela, fugaz e frágil, ela brilha e se apaga, revela-se e se esconde, aparece e desaparece, como o Amado que se oculta para estimular a busca e nutrir um amor fiel e persistente.
Enviado por Pe. Paulo Caovila por email
terça-feira, 5 de outubro de 2010
ACOLHIDA
O tema da acolhida comporta sempre dois lados: acolher e ser acolhido. Somente será capaz de acolher aquele que se sente acolhido. E ao contrário, todo rechaço é simultaneamente causa e efeito de uma atitude de rejeição. Esta tem necessariamente mão dupla. A recusa do diálogo e da escuta, no fundo, costuma ser recíproca. Isso vale tanto para os laços humanos (relações horizontais) quanto para a intimidade com Deus (relações verticais), embora nesta última, como veremos, a reciprocidade do auto-fechamento tem aparência enganosa.
No primeiro caso, em que se tomam em conta as relações entre os seres humanos, o isolamento e a recusa raramente são unilaterais. Um olhar que se desvia de outro, um coração que não encontra repouso em sua própria casa, uma alma que experimenta a solidão entre os companheiros tudo isso representa, em geral, um ambiente fechado sobre si mesmo. O olhar, o coração e a alma captam e destilam, ao mesmo tempo, um oxigênio hostil no interior de uma atmosfera pesada. Um veneno indefinido e irrespirável asfixia e sufoca: contamina não um ou outro lado, mas a possibilidade mesma de comunicação.
Engendra-se um constrangimento mútuo e mutuamente pernicioso e progressivo. Em lugar de pontes que unem, levantam-se muros obstáculos a uma relação sadia. Fronteiras visíveis ou invisíveis demarcam campos opostos e incomunicáveis. Uma espécie de vírus discriminatório instala-se nas palavras e nos silêncios, tornando todo o organismo cerrado ao diálogo comunicativo. É o contrário da teoria do agir comunicacional, estudo do filósofo alemão Jürgen Habermas! Com o tempo, esgarça-se a coesão do tecido social e cria-se um individualismo exacerbado e atomizado, onde as partículas tendem a girar em torno do eu como átomo central. Desfaz-se a comunidade e cada indivíduo volta-se sobre o próprio umbigo, defendendo seus interesses particulares.
No caso do processo de intimidade com Deus, talvez inadequadamente chamada de relação vertical, as coisas ocorrem da mesma forma, não obstante os matizes distintos. A pessoa que, na busca sincera e incessante do divino, não estiver disposta a abrir-se ao desconhecido, encontrará um ser oculto e ausente, longínquo e indiferente. Não que Deus seja estranho ao destino humano e à trajetória da humanidade. Mas aquele que, de um lado, se fecha à sua graça e revelação, ou, de outro lado, tenta manipular e instrumentalizar sua presença, também experimentará o estranhamento. Tropeça inevitavelmente com o silêncio opaco e misterioso do Transcendente.
Como lembra o Livro do Apocalipse, Ele está à porta e bate, porém, jamais violará a liberdade humana. Se a pessoa não se dispõe a abrir a porta e o coração, o encontro está definitivamente fracassado. Se, ao invés, a porta se abre, o que só pode ocorrer a partir de dentro, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo (Ap 3,20). A recusa do ser humano traz como resultado a sensação de que Deus também o recusou. Deixou-o órfão, perdido e só, abandonando-o à própria sorte. Neste caso, apesar da aparência de bilateralidade, o rechaço é francamente unilateral. Ou seja, o encontro e o diálogo se tornam inviáveis porque o ser humano teme as conseqüências de uma abertura ao mistério, que sempre interpela, questiona e desinstala.
A esta altura surge mais claramente o entrelaçamento entre as relações horizontais e as relações verticais. Verifica-se aqui uma nova forma de reciprocidade. A acolhida ao outro pavimenta o caminho para o encontro com o totalmente Outro. De igual maneira, o aprofundamento da intimidade com Deus amplia a disposição para acolher o estrangeiro, independentemente de sua origem, raça, língua ou nação. Dito de outra forma, o diálogo com o diferente desvenda horizontes para enriquecer a relação com o Transcendente. Este processo de crescimento espiritual, por outro lado, franqueia a porta para os que chegam de fora e de longe. Nasce um círculo virtuoso: a acolhida ao outro e a abertura a Deus constituem duas faces da mesma moeda. Em outras palavras, o caminho para o Pai passa necessariamente pelo irmão, e vice-versa, o encontro com o estranho e diferente exige a intimidade com o Transcendente.
Por outro lado, a negação a Deus e ao outro são igualmente recíprocas. Fechar a porta ao estrangeiro é fechá-la do próprio Deus. E inversamente, fugir à face do Transcendente é esquivar-se do confronto com o diferente. Como dizia Anna Fumagalli no II Seminário sobre Teologia, Migração e Missão, Deus abandona a pátria celeste e nos visita na pátria terrestre, para a abrir a todos a porta do Reino dos Céus. Aqui encontra-se resumida toda a teologia e espiritualidade da encarnação: Sendo de condição divina, Ele não se apega ciosamente a esse privilégio (processo de Kenosis, no hino da Carta aos Filipenses Fl 2,6-11), desce ao terreno da história, arma sua tenda entre nós, para nos elevar. Faz-se forasteiro nos embates da humanidade para nos tornar irmãos. Forasteiro e hóspede que, no episódio dos discípulos de Emaús, por exemplo, se converte em anfitrião. À mesa, oferece pão e salvação (Lc 24,13-35)!
Mais que isso! Na linha do filósofo francês Emmanuel Lévinas, o processo de busca e de construção da própria identidade requer o confronto com o outro em seu duplo sentido, humano e divino. Ou então, na assertiva de Hans-Georg Gadamer, o outro tem algo a dizer não só sobre si mesmo, mas sobre mim (Verdade e Método). Trata-se, em síntese, de uma relação que cresce em sentido dialeticamente tríplice: a descoberta do eu, do outro e de Deus tem implicações mútuas e simultâneas.
Amplia-se, assim, a idéia de que acolher é esperar o outro, recebê-lo bem. Aqui estamos a meio caminho do conceito de acolhida. Esta, além de exigir boa recepção, comporta um ir ao encontro. Também neste aspecto acolhida tem mão dupla: abrir a porta e o coração a quem chega, por um lado, e, por outro, pôr-se a caminho e estender os braços a quem está distante, fora, marginalizado, excluído, sem pão e sem pátria.
Enviado por Pe. Paulo Caovila - via email
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
JUVES 2010

No dia 26 de Setembro São Bernardo do Campo sediou a JUVES 2010. Com o tema: " Mudanças climáticas e seus efeitos migratórios " os jovens escalabrinianos foram convidados à pensar um pouco mais sobre a verdade inconveniente do descaso com a natureza.
O domingo mesmo chuvoso foi empolgante, estava na programação: Missa, louvor, partilha, interação, depoimentos e apresentações.
Falou-se em sustentabilidade, desastres naturais e migrações ... num mundo capitalista, onde se impera o lucro, o estilo de vida do consumismo tem agravado os desastres climáticos, que se tornaram cada vez mais freqüentes. Infelizmente não nos faltam exemplos, o noticiário exibe a natureza revirada, o sofrimento das vítimas, milhares de desabrigados, órfãos, tristeza, dor ...
O culpado? Toda uma sociedade que polui, desmata, usa e abusa dos recursos naturais como se eles fossem infindáveis.
Enquanto isso cada desastre deixa um rastro de vítimas, muitos já não tem mais a pátria pra retornar, porque foi literalmente por água abaixo ou se desmoronou junto com seus sonhos, são milhares de desalojados, inúmeras migrações forçadas.
Estavam presentes haitianos que sentiram a experiência da perda, narrando a dor de perder seus familiares no recente terremoto que resultou em 32 mil vítimas.
Quantas mais famílias serão destruídas? Quantos mais lágrimas terão que cair? Até quando a soberba economia se renderá ao dinheiro? ... já estamos atrasados, todos precisamos acordar para o uso sustentável, para o uso consciente, o que será das próximas gerações? O futuro se constrói no presente. Ou mudamos nosso modo de vida ou esta história não terá reticências.
Preocupados com o ambiente os organizadores da JUVES elegeram até uma música como hino por refletir bem o propósito do tema, a múscia é antiga, mas o apelo é atual:
Natureza, Espelho de Deus ♪
Eu sou a água dos rios das beiras da terra
A dar de beber as sedentas sementes
Eu sou a nascente, o cerrado e a serra
Eu sou o grito de dor da madeira ferida
A relva, a selva, a seiva da vida
Peão boiadeiro que o laço não erra
Eu sou o doce das frutas, a erva que amarga
O quarto de milha e o mangalarga
As águas revoltas são os prantos meus
Quem envenena meus mares, me queima e desmata
Me sangra sem pena, aos poucos me mata
Não vê que eu sou o espelho de Deus
Eu sou a natureza, indefesa, não me trate asim
Eu sou a aguia, a baleia e o angelim
Somos irmãos da terra, pedra, bicho, planta, gente, enfim
Pra que essa vida viva cuida bem de mim
Eu sou o sol das manhã sobre minhas campinas
O frio das neves, as claras colinas
Os pássaros livres, a sombra que resta
Eu sou o bicho do mato, a flor pantaneira
Eu sou a savana, a serpente, a palmeira
O cheiro do verde que vem da floresta
Sou cavaleiro do mundo, eu sou a boiada
Eu sou o estradeiro e o pó da estrada
Sou crença nos olhos dos homens ateus
Quem me devasta, me fere, me caça, me extingue
Me arranca as raizes não deixe que eu vive
Não pode se ver no espelho de Deus
Eu sou a natureza, indefesa, não me trate asim
Eu sou a aguia, a baleia e o angelim
Somos irmãos da terra, pedra, bicho, planta, gente, enfim
Pra que essa vida viva cuida bem de mim
Todos cantaram junto pela natureza indefesa que clama por cuidados e o domingo seguiu animado e foi encerrado com as apresentações de cada grupo. Os jovens escalabrinianos de Vicente de Carvalho-Guarujá foram os últimos e levaram ao palco a idéia da conscientizarão e preservação (foto).
• Emilly Brito
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