Todo o olhar desvenda e desnuda. Ao pousar sobre outro, tira as máscaras, vê além das aparências. Ocorre isso porque os olhos costumam ser a janela da alma. Revelam em geral aquilo que gostaríamos de ocultar aos demais. Em numerosas ocasiões desmentem os gestos e a verborréia das palavras. Até mesmo os animais, com seu olhar aparentemente neutro e inexpressivo, muitas vezes parecem trazer à luz sentimentos genuinamente humanos, tais como tristeza e alegria, saudade e euforia, raiva e humilhação...
Entretanto, há olhares que desnudam para expor em praça pública a nudez de alguém que se acha indefeso. São os olhos da indiscrição, da curiosidade ou do voyeurismo irresponsável. De fato, é comum encontrar pessoas dispostas a invadir a privacidade alheia, submetendo-a ao escárnio e ao ridículo. Desvendam sem escrúpulo aquilo que o ser humano possui de mais íntimo e sagrado. Ao fazer circular determinadas imagens ou sentimentos, provocam a timidez, a vergonha ou a revolta. Como a fumaça, os segredos jogados ao vento não têm retorno.
De outro lado, há olhares que somente desnudam para, em seguida, revestir de profundo respeito a nudez do outro. Neste caso, só o amor é capaz de defrontar-se com a nudez sem reduzi-la a um escândalo ou ao vexame. Da mesma forma que põe a nu os segredos mais ocultos, o amor os cobre de carinho e ternura, evitando a exposição à curiosidade estranha. É assim que um corpo só pode permanecer nu diante do olhar amado, pois este o reveste de uma roupa invisível, mas nobre e sublime. Abrir a privacidade de uma pessoa é o mesmo que abrir o sacrário. Nos dois casos, estamos diante do mistério que não pode banalizado.
O primeiro tipo de olhar tende a rasgar e ferir, ao passo que o segundo afaga e protege. Ambos retiram da pessoa todas as defesas, deixando-a despida e desamparada. Mas enquanto um exibe a nudez como uma espécie de troféu de sua vitória, o outro a envolve numa nova veste que a deixa segura e confiante. Ambos podem ser comparados ao bisturi do cirurgião. A diferença é que o olhar possessivo e curioso corta o tumor para escancarar sua podridão, ao contrário do olhar amoroso, que corta para curar. Um aponta o dedo em riste sobre a ferida exposta, atraindo sobre ela a atenção de todos; o outro, usa o bálsamo da compreensão e da misericórdia para saná-la.
Por aí se explica porque muitos olhares nos fazem reagir com um desvio imediato, automático, quase involuntário. Sentimos a invasão e procuramos defender a intimidade violada. No trem, no ônibus, na multidão, nas ruas... é comum os olhares se cruzarem e se desviarem logo, ao ser surpreendidos. Também com o olhar é possível violentar um segredo alheio. Daí a reação inconsciente, instantânea. Diante de um olhar que ama, porém, permanecemos firmes e sem medo, pois a nudez está protegida da mera curiosidade. O amor nos deixa transparentes, nus e frágeis como a flor ao vento, mas, ao mesmo tempo, nos recobre com uma capa de profunda compaixão.
Ilustra bem isso o episódio da mulher adúltera no Evangelho de João (Jo 8, 1-11). Três olhares estão em cena: o da própria mulher surpreendida em adultério, o dos escribas e fariseus que carregam e acusam a mulher e o de Jesus. Trata-se, no fundo, de dois olhares apenas. Certamente a mulher já terá introjetado em si mesma a opinião daquela cultura legalista e marcadamente machista. Ela mesma provavelmente se vê como impura e pecadora.
Hoje diríamos que os escribas e fariseus representam o olhar da opinião pública. Esta desnuda a mulher, expõe seu pecado à luz do dia, para julgá-la, acusá-la e apedrejá-la. A exemplo de muitos setores da mídia e das multidões enfurecidas, a opinião pública guia-se unicamente pela letra da lei. Permanece cega e surda às circunstâncias históricas e à condição da acusada. É preciso que se cumpra o que está escrito.
O olhar de Jesus repousa com doçura sobre o coração e a alma da mulher. Não julga, apenas observa e ilumina, em silêncio. Joga uma luz nova sobre as entranhas mais íntimas do ser humano. Sabe que, muito mais que pecadora, aquela mulher é vítima do contexto social. Não ignora também a possibilidade do arrependimento e da conversão. Passa por cima de todo discriminação e preconceito. Concede uma nova chance a um coração que só quer amar e ser amado. A misericórdia prevalece sobre a lei. Mais ainda, Jesus inverte a situação do tribunal público e popular. Aquela que vinha sendo julgada, condenada à marginalidade, é convidada ao centro. A ré torna-se referência para o julgamento dos pretensos juízes. Quem dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.
Qual não terá sido a surpresa dos escribas e fariseus, bem como da própria mulher! Eu também não te condeno; vai, e de agora em diante não tornes a pecar. O pecado não é justificado, mas o pecador tem direito a uma nova oportunidade.
Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS
Enviado por Pe. Paulo Caovila
Boletim Informativo da Paróquia Nossa Senhora das Graças - Vicente de Carvalho - Guarujá - SP
quinta-feira, 10 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Comunidade Aparecida - 50 anos
A Capela Nossa Senhora Aparecida, em Guarujá, comemora neste domingo (6) seu Jubileu de Ouro pelos 50 anos de sua fundação. Os festejos contam com saída da carreata às 17 horas, após a benção dos veículos. Já às 18 horas, será celebrada uma Missa Campal na Avenida Oswaldo Cruz e em seguida apresentação de grupos musicais para comemorar o Jubileu. A ação conta com apoio estrutural da Prefeitura de Guarujá.
A comunidade foi fundada há 50 anos por um grupo de mulheres perseverantes na fé e empenhadas no serviço de evangelização. Na década de 50, as reuniões de grupos, orações, celebrações e missas aconteciam numa pequena capela de madeira, que, aos poucos, acolhia muitas pessoas vindas de diferentes regiões do Nordeste.
A oração e fé permearam os vários anos de lutas, evangelização e conquistas dos fiéis da comunidade. A capela cresceu com base na humildade e acolhida, e isso foi um ingrediente a mais para reunir, a cada ano, novos cristãos e cidadãos de Guarujá.
A presença dos padres, freiras e religiosos da Congregação Scalabriniana, que tem como carisma o trabalho com o migrante, também motivou a organização, o aprofundamento espiritual e a animação dos membros da comunidade.
Serviço: A Capela Nossa Senhora Aparecida fica na Avenida Oswaldo Cruz, 50 – Pae Cará.
(extraído do Diário Oficial do Município de Guarujá - 03/06/2010)
Enviado por Túlio Maciel - Comunidade Aparecida Oswaldo Cruz
Enviado por Túlio Maciel - Comunidade Aparecida Oswaldo Cruz
terça-feira, 1 de junho de 2010
105° aniversário da morte do Bem-aventurado Scalabrini.
Hoje, dia 1 de junho de 2010, celebramos o 105° aniversário da morte do Bem-aventurado João Batista Scalabrini, apóstolo da catequese e mensageiro da Palavra, pai dos migrantes e desamparados, filho devoto de Maria e da Eucaristia, Pastor da caridade.
No ano de 1901, com as bênçãos do Papa Leão XIII, João Batista Scalabrini viajou em missão para os Estados Unidos. Partiu de Gênova, junto com outros 1.200 emigrantes. Sua permanência nos Estados Unidos se prolongou até 12 de novembro, inteiramente preenchida por uma programação intensa e cansativa, mas rica em frutos e bênçãos. Dia 10 de Outubro teve uma audiência particular com o presidente Teodore Rooselvet. Pronunciou 340 discursos e percorreu 15 mil quilômetros.
De seus missionários Carlistas, assim se expressava o Bispo de Harisburg: "Os seus missionários são admiráveis! Tenho apenas uma observação: é uma pena que eles são poucos". Os Estados Unidos era a primeira etapa de outra viagem mais difícil e aventurosa que seus missionários exigiam: a visita ao Brasil.
Apesar da idade que avançava em 1904, chegou o momento de conhecer o Brasil e a Argentina. Com as Bênçãos de Pio X, partiu de Nápoles a 17 de Junho. Após uma viagem de 20 dias, a 7 de Julho Scalabrini chegou ao Rio de Janeiro. Foi acolhido pelo Arcebispo Joaquim Arcoverde Albuquerque Cavalcanti. Em seguida, prosseguiu viagem, chegando ao Porto de Santos, e dali, de trem, subiu para São Paulo, onde o Bispo Dom José de Camargo Barros, os seus missionários, autoridades e muitos migrantes o acolheram.
Hospedou-se no Instituto Cristóvão Colombo, no Ipiranga, obra de sua Congregação. Seus compromissos foram intensos. Durante o mês que passou no estado de São Paulo visitou diversas fazendas onde viviam os migrantes italianos, pregou, retiros, crismou...No dia 5 de agosto de 1904 inaugurou a secção feminina do Instituto Cristóvão Colombo na Vila Prudente.
Viajou também ao Rio de Janeiro e Niterói. E daqui, sempre de navio, dirigiu-se para Paranaguá e Curitiba, sua residência foi em Santa Felicidade, donde visitava diariamente as colônias italianas vizinhas e distantes. Depois de 15 dias de permanência em Santa Felicidade, Scalabrini embarcou em Paranaguá, passando por Florianópolis, até o porto de Rio Grande.
Dia 10 de setembro estava em Porto Alegre. Dali partiu para Encantado, a primeira paróquia Carlista do Rio Grande do Sul. Foi recebido com entusiasmo. Realizou diversas crismas, visitou outras colônias de migrantes nas circunvizinhanças: Nova Bassano, Garibaldi, Veranópolis, Bento Gonçalves e Caxias do Sul. Retornou à Porto Alegre, de onde viajou para Buenos Aires. Fazia 36 anos que não via seu irmão Pedro. Na capital Argentina, procurou conhecer a colônia italiana, e ver da possibilidade de fundar aí uma casa da Sociedade São Rafael.
Scalabrini concluiu sua viagem missionária na América do Sul, em Buenos Aires. A viagem de retorno à Placência se prolongou por 24 dias, onde chegou no dia 06 de Dezembro de 1904, cansado e esgotado, mas feliz. O Papa Pio X o aguardava para ouvir o relato da peregrinação missionária, mas suas forças estavam chegando ao fim. Sua estima crescia na Itália e no Exterior. Havia vozes de que ele seria elevado à Cardeal. As respostas do Bispo, batiam sempre na mesma tecla: " Eu não penso no Cardinalato, mas na morte! E é uma graça de Deus também essa."
No dia 21 de maio de 1905, durante a visita pastoral à Paróquia de Borghetto, as dores aumentaram. Foi preciso chamar um médico. Sofreu uma intervenção cirúrgica que o enfraqueceu de tal maneira, que no dia 31 de maio recebeu os últimos sacramentos.
Nos momentos de lucidez, dizia: "Seja feita a vontade de Deus! Rezem por mim, saúdem os professores, os seminaristas do seminário e aos meus missionários! Adeus, Adeus." E nos intervalos de delírios, exclamava: "Os meus sacerdotes! Onde estão os meus sacerdotes? Deixem-nos entrar, não os façam esperar tanto." A morte chegou às 5h50, da Quinta feira do dia primeiro de maio de 1905, na festa de Ascensão do Senhor. Suas últimas palavras foram: "Estou pronto, Senhor! Partamos! O Papa Pio X, logo informado, prorrompeu em lágrimas repetindo: "Perdemos um de nossos melhores Bispos!" E o povo dizia: "Morreu um santo." Seus restos mortais repousam num túmulo-monumento perto do altar do Santíssimo, na Catedral de Placência.
Enviado por Pe. Paulo Caovila - via email.
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