sábado, 26 de setembro de 2009

Primavera de Mudanças




A estação da primavera está para o ano como a aurora para o dia. Após a noite escura e fria, propensa aos fantasmas, o sol do amanhecer remove as sombras e traz a esperança de um recomeço. Assim a primavera. Após o inverno gélido e prenhe de turbulências, raios e tempestades, a nova estação renova sonhos e expectativas. O céu azul e os campos floridos costumam ser a expressão plástica desse renascimento.

Não é sem razão que a primavera tornou-se, no imaginário popular, um dos símbolos mais expressivos na música, na literatura, na arte, na religião, enfim, na trajetória existencial das pessoas. Diz-se, por exemplo, que alguém está na primavera da vida, e isso nem sempre corresponde à idade medida de seus anos. Corresponde também ao rejuvenescimento após um outono nebuloso ou um inverso rígido, ou seja, após uma doença, uma crise pessoal, um fracasso inesperado.

O mesmo vale para determinada sociedade ou determinado país. Também aqui, passadas crises profundas, simbolicamente invernais, um povo pode reerguer-se das trevas, do frio e dos escombros, para construir uma alternativa mais promissora. As transformações, as mudanças e as revoluções normalmente são adjetivadas como primaveris. Afugentam os fantasmas do ódio e da violência e abrem espaço para um horizonte recriado. Que o diga quem experimentou na carne tensões, conflitos ou guerras declaradas.

Nesta perspectiva, seria correto afirmar que, passados os sintomas mais graves da crise financeira, a economia mundial encontra-se em estado de primavera? É difícil imprimir aqui um sim imediato e taxativo. Mais fácil é continuar em tom de interrogação. De fato, primavera tem a ver com cores e sabores, com flores e amores. Tem a ver com crianças brincado nas ruas e praças, com namorados se abraçando e beijando, com passeios e piqueniques. Tem a ver com o desabrochar vigoroso e virulento da vegetação castigada pelos ventos do inverno.

Ora, em geral, as propostas do G20 e dos políticos e economistas para a saída da crise do mercado é mais mercado. O que significa continuidade na devastação dos recursos naturais, ritmo acelerado de produção, maior número de carros individuais nas ruas e mais gás carbÿnico na atmosfera, aceleração do aquecimento global e mais consumo, sempre mais consumo. É o círculo de ferro do produtivismo consumista de nossa cultura ocidental. Tudo para favorecer uma porcentagem de privilegiados do planeta, em detrimento de bilhões de pessoas que vivem das migalhas do progresso científico e tecnológico. O remédio se converte em veneno cada vez mais letal.

Que pena! Nada de novo nesta primavera! Nenhuma flor, nenhuma cor, nenhum amor, nenhum sabor diferente do que já se conhece. A roda vida do capitalismo neoliberal aumenta sua velocidade, ignorando a nova estação. No caso da América Latina, a cobiça pela riqueza, pelo acúmulo e pelo poder vem ressuscitando até um começo de corrida armamentista, coisa que parecia execrada ao lixo da história.

Mas, espera um pouco, não sejamos tão pessimistas. Há sim algo novo debaixo do sol. Milhares e milhares de iniciativas populares, espalhadas por todo o Brasil e por outros países do planeta, vão forjando uma rede capilar de experiências de economia solidária. Ao invés do lucro, o objetivo é dar conta das necessidades básicas das populações mais carentes. Alternativas se multiplicam, formigas trabalham no silêncio, esperanças se renovam.

Mas como competir com a força, os estímulos, o marketing e o fascínio do mercado? Aqui é preciso ter a fé do camponês, acreditar na semente jogada na terra. Tempo de crise é sulco aberto na história para o lançamento de novas sementes. Sementes que não criam espetáculo, não fazem estardalhaço, mas maturam lentamente na umidade oculta do solo. Mergulham suas raízes no interior da terra, para depois, firmes no chão, erguer-se em direção ao céu, ao sol, ao ar livre. Como as sementes, também as mudanças não são feitas de espetáculos. Amadurecem passo a passo na consciência de um povo, até chegarem ao ponto de dar um salto qualitativo em direção à liberdade.

Da mesma forma que a espiga, a flor, o poema ou o edifício, as mudanças se levantam do chão. Primeiro crescem para baixo, buscando as dores e esperanças do povo, depois se projetam para o alto em forma de projetos, sonhos utopias. E então, sim, estaremos deixando o inverso da injustiça e da exclusão social e entrando na primavera de uma nova história.

Pe. Alfredo J. Gonçalves, Cs

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Aconteceu: Festival de entradas da Bíblia

Era um dia de festa. Um dia para celebrar a palavra que nos foi dada e que buscamos manter presente no nosso dia a dia.

Os crismandos foram convocados a participar dessa linda festa e compartilhar a palavra através da procissão.

Demos início com a nossa turma de adultos( Matriz - Vilma/ Julvanete), ao som da tradicional " Ergo bem alto essa Bíblia", num lindo tom azul e branco, emocionou as catequistas com a entrega e a todos por sua participação: Palavra de esperança.

Foram seguidos pelos meninos da Tia Marlene e do tio Manolo, caracterizando sua apresentação na interpretação da palavra: aquela que liberta.

Os jovens do Sagrado Coração chegaram a não acreditar que poderiam participar, duvidaram de si mesmos e se surpreenderam, com verde na cor, alegria na alma e cantando suavemente a música que entoavam: Palavra que surpreende.

Quando todas as músicas eram calmas, a comunidade Nossa Senhora da Paz alegrou o ambiente com uma batida diferente, um som mais animado: Palavra que anima

Essa palavra nos convida a pensar qual caminho seguir, muitas são as tentações, os desvios, mas se abrirmos o coração a palavra se faz mais forte, mensagem entoada e encenada pelos crismandos da Aparecida da Conceiçãozinha: Palavra que é caminho.

Com poesia ensinar nossa fé foi a proposta da comunidade São José, cantando e coreografando com muita concentração: Palavra que profetiza.

São João e Aparecida( Oswaldo Cruz) fizeram um misto de cor e música, de dança e de respeito: Palavra que dá cor.

Santo Antonio e Bom Jesus uniram o branco com o azul e passaram flutuando com a palavra nas mãos: Palavra que alimenta o coração.

Cercados por estrelas, simplicidade na música e duas lindas crianças roubando a cena, a Comunidade Santo Amaro fez sua apresentação: Palavra com as crianças.

Dentre todas as pessoas que carregavam a Bíblia nas mãos, a representante da São Judas era a mais sorridente, concentrou-se na alegria da responsabilidade que lhe foi dada, cantou a música que tocava, dançando sem medo da experiência, sendo o ponto central da apresentação do grupo: Palavra que exige responsabilidade e alegria.

Falando em criatividade na dança e sintonia na coreografia a Comunidade São Paulo fez uma bela apresentação: Palavra que é luz.

O grupo escolhido para receber a chama da catequese veio da Matriz( Vânia e Zuleide) somou teatro e dança com a tradicional procissão que conhecemos, a Bíblia veio pelo alto e encantou: palavra que eleva.

Escolhida pelos presentes, revolucionária, inteligente, com duas músicas e instigando quem assiste, a Comunidade Sagrada Família participará da Festa de Nossa Senhora das Graças: Palavra que precisa ser ouvida, que questiona, que muda.


video

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O discurso

Este foi o discurso do Douglas Nobre, a voz jovem e escalabriniana no Grito dos Excluídos(as) 2009:

''Independente da organização que pertençamos, hoje estamos aqui todos como excluídos, e se faz importante a pergunta: Estamos excluídos de que?
Eu digo a vocês que de uma maneira geral, estamos excluídos do controle da sociedade. Ora mas alguns vão dizer: Vivemos em uma democracia, o Brasil constituí-se em Estado Democrático de Direito, segundo o Artigo 1º da Constituição Federal que também diz o seguinte: “Todo poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta constituição”.
Agora pergunto a vocês: Essa forma de exercer o poder está realmente sendo eficaz na defesa dos interesses da população como um todo? Os meios institucionais para controle da influência do poder econômico nas eleições funcionam? Os atos que vem sendo praticados pelos representantes eleitos refletem a vontade das massas?
Todos os fatos atuais mostram que não. Já está mais que explicito que os interesses defendidos por aqueles que deveriam ser nossos representantes, é o interesse de um pequeno grupo de pessoas e famílias que detêm o poder em nosso país deste o tempo das Capitanias Hereditárias.
Essa Oligarquia de latifundiários, coronéis, empresários, e especuladores financeiros, defendem ferrenhamente aos próprios interesses e de seus “bandos”, individualizando o poder em favor desta “corja” e também a favor das empresas transnacionais que investem e invadem nosso país para explorar, não no sentido de conhecer ou desenvolver, mas com o intuito de ludibriar, de tirar proveito dos trabalhadores e de nossas riquezas naturais.
Este desvio de finalidade do poder coloca sempre em primeiro plano o interesse do capital, do lucro, ficando para último plano questões de interesses coletivos como: educação, saúde, moradia e meio ambiente, etc.
O Sistema Capitalista que vivemos mostra-se ineficaz e decadente, porém continuará existindo em meio a crise, com uma exploração cada vez maior dos trabalhadores. Exemplo disso já pode ser visto que é a diminuição dos salários pós-demissão e as inúmeras tentativas de ataque aos direitos trabalhistas conquistados com tanta luta.
Não é justo que os trabalhadores, os jovens, os migrantes, os negros, todos nós que somos excluídos do controle da sociedade, paguemos por esta crise que não é nossa.
Estamos, portanto, diante de um momento especial para nos reconhecermos como uma única classe. O novo período histórico que se abre com a crise global do capitalismo exige de nós que nos preparemos da melhor maneira possível para os embates que virão pela frente. Em todos os sindicatos da cidade e do campo, nas organizações de bairros, nos movimentos sociais, nas instituições religiosas, enfim, onde houver condições de organizar a população, todos nós temos o dever de realizar um intenso trabalho político visando a construção de uma frente de esquerda anti-capitalista, permanente, voltada a desenvolver um calendário de lutas populares e um programa político capaz de promover uma ofensiva ideológica de denúncia do capitalismo e em prol da construção do socialismo.
Essa é a mudança real que devemos fazer para conseguir exercer o poder de fato nesse país e para que não tenhamos que gritar todos os dias por sermos excluídos de uma sociedade que não é do lucro que não é do capital, mas que é sim, nossa!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Jovem também grita


Dia 07 de Setembro de 2009, feriadão! Sol raxante no céu, perfeito dia de praia ... Mas tínhamos um compromisso. Compromisso com a justiça.
Estávamos lá na 15ª edição do Grito dos Excluídos.
Saímos às ruas gritando por nossos ideais.
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O porta-voz dos jovens da Paróquia foi o Douglas Nobre (Bob), ele em discurso sincero e desabafante falou de nossos anseios, vontades e revoltas, foi a voz jovem gritando por igualdade.
Queríamos Universidades Federais aqui na cidade, coisa que ainda não tem, mas precisa, mediante a necessidade da região. Além de melhorias nas escolas, sendo na estrutura e no ensino.
Queríamos melhorias em nossos bairros, desde iluminação, pavimentação até a segurança.
Queríamos gritar bem forte pelo revertério dessa sociedade tão injusta.

Como jovens de carisma escalabriniano também fizemos uma prece pelos migrantes. Pela acolhida desse povo de história quase sempre sofrida mas com esperanças no coração (eu sou migrante e digo isso por experiência própria).


Vimos revoltas e revoltados.
Insatisfação com: Preconceito, violência, impunidade, discriminação, injustiça, corrupção ...
Até quando o poder vai ficar na mãos dos ricos opressores?
A sociedade é nossa!
Imagine um mundo fraterno e com igualdade social!
Onde negros, brancos, pardos - qual etnia que seja- tenham os mesmos direitos.
Onde tenhamos moradias dignas
Pão na mesa
E escola de qualidade.
Onde roubalheira não seja rotina, e a corrupção punida!
Onde eu e você tenhamos dignidade.
Onde o bem social seja prioridade e não a soberba do capitalismo.
Uma utopia?
Simples sonho?
Mas quando um sonho é sonhado em conjunto a realização nos parece possível.
Juntos, acreditamos que sim, que podemos construir uma sociedade mais justa.
Nós jovens queremos.Você quer?

Emilly Brito

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Entendendo o Grito dos Excluídos


Objetivo Geral do Grito
- Anunciar em diferentes manifestações populares sinais de esperança com perspectiva de transformação através da unidade, da organização e da luta popular.
- Denunciar todas as formas de injustiças promovidas pelo sistema capitalista implantado em nosso país, que causa a destruição e a precarização da vida do povo e do planeta.

A força da transformação está na organização Popular:
O Trabalho de Base é a ferramenta para a organização popular. É preciso ouvir os gritos silenciados e silenciosos dos que não têm nem voz nem vez e possibilitar que repercutam na sociedade, pois são muitos os sinais de esperança e indignação que vêm das ruas. Não podemos fugir deles. Precisamos tornar estes gritos e indignação em força, em movimento de luta.

O que não queremos no Brasil
√ Mau uso dos recursos públicos;
√ Agressão contra todas as formas de vida;
√ A falta de universalização dos direitos básicos como educação, saúde, moradia, cultura, etc..
√ Concentração de terra, renda e dos meios de comunicação;
√ Privatizações, militarização, dívida pública e os Tratados de Livre Comércio (TLCs);
√ Política econômica baseada na produção para exportação, nas altas taxas de juro, no pagamento da dívida pública (interna e externa), aumento do superávit para salvar bancos, e na dependência ao capital financeiro internacional;
√ Trabalho escravo, exploração infantil e tráfico de seres humanos;
√ Fechamento de fronteiras para os migrantes;
√ Latifúndio, monocultivo e agronegócio;
√ Apropriação dos recursos naturais, como minerais, água, sementes, petróleo, energia, por parte das grandes empresas transnacionais;
√ Depredação da natureza com graves conseqüências como o aquecimento global e as catástrofes “naturais” que estão acontecendo;
√ Criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.
O que queremos no Brasil
√ Defesa e promoção da vida em todas as suas dimensões;
√ Reforma política que garanta espaços de participação do povo nas decisões políticas sobre o destino da nação;
√ Política econômica que garanta vida digna, distribuição de renda, geração de emprego direitos para todas as pessoas;
√ Reforma agrária com incentivo à agricultura familiar e camponesa e a regularização fundiária das comunidades tradicionais, garantindo a soberania alimentar para o país;
√ Uma nova cultura do trabalho como fonte de promoção de vida e realização da pessoa humana;
√ Reforma urbana profunda que ofereça moradia digna para todos e todas;
√ Valorização da arte e das manifestações populares da cultura e controle popular dos meios de comunicação;
√ Promoção de novas relações de gênero e raciais;
√ Respeito à biodiversidade e uso das riquezas naturais, da energia etc;
√ Consolidação de uma integração regional alternativa com participação popular
√ Mobilização de toda a população na construção de um projeto popular para o Brasil.

Endereço da Secretaria Nacional do Grito dos Excluídos
Tel/Fax - (0xx11) 2272 06 27
Correio Eletrônico: gritonacional@ig.com.br
Pagina www.gritodosexcluidos.org

Convite: Semana da Cidadania e Grito dos Excluídos

dia 02
Palestra com Prof. Edimilson - Participação do cidadão na sociedade - Salão Paqoquial

dia 03
09hs Panfletagem no desfile do Perequê
19h30 - Palestra com Pe. Valdecir - Cidadania na vida dos Cristãos - Salão Paroquial

dia04
12hs na Praça Mauá - Santos, ato do Pré-grito com panfletagem e coletiva de imprensa 19h30 - Palestra com Andréa Estrela - Meio-Ambiente, o que eu tenho com isso? - Salão Paroquial

dia 05
09h panfletagem em Vicente de Carvalho no desfile da Semana da Pátria

dia 07 - Grito dos excluídos 2009

O Grito dos Excluídos é uma mobilização popular, contra a desigualdade social, que quer denunciar quem exclui, mostrar mostrar quem são os excluídos e propor alternativa a esse modelo político-econômico que causa a exclusão.

Não existe mobilização sem povo. mas o povo precisa se organizar para mudar as coisas. Por isso o tema do Grito deste ano é:

A FORÇA DA TRANSFORMAÇÃO ESTÁ NA ORGANIZAÇÃO POPULAR.
Este ano o Grito Acontece em Vicente de Carvalho Guarujá.
A concentração será as 9h do dia sete de setembro.
A marcha partirá da Rua Joana de Menezes Faro ( Feira do Rolo), e encerramento na Praça 14 Bis, onde será realizada uma celebração inter-religiosa, característica marcante do Grito na Baixada Santista.

Durante todo o trajeto, as entidades e movimentos envolvidos promoverão manifestações culturais (música, teatro, capoeira e etc.)

E mais, após o evento do Grito continuaremos na praça com apresentações de grupos culturais, danças, músicas de tal forma que a praça conforme deve ser, será palco das mais diversas atividades e expressões de nossa gente.

Informações: Pe. Antenor Dalla Vecchia e Equipe de Cidadania Paroquial